Num País Com Menos Guerreiros,
Ladram os Cães!
Foi-se Mário Covas. Espera-se que a honestidade e a coragem do país, não tenham ido com ele. Espera-se que seu exemplo de dignidade tenha feito frutos, e que germine na consciência e atitude de, pelo menos, alguns cidadãos que dedicam-se à política.
É preciso compreender que, para vencer, é necessário ter perdas. Que, para ser grande, é preciso ter nada, mas, para alguns poucos, ser gigante, é ser apenas o mínimo. Perder eleições, em um bom momento político, ou perder mandato, quando cassam-se a possibilidade democrática com absoluta afronta aos direitos, até hoje não justificada, é parte do calvário. Mas, perder uma filha, é perder mais que um pedaço de sí. É perder uma vida como um todo. É ser nada além do que paixão, para gerar paixão e consolo. É optar pelo amor aos seus. É tornar-se nada além de dignidade absoluta, e ceder o previlégio de dar ao país, um pedaço dos sentimentos feridos, e bradar, em vóz grave e consolativa, que é nascida a esperança...
O país tem menos um guerreiro. Os cães que ladram, farão mais ecos... mas, não festejam. Os cães que ladram, tem respeito ao guerreiro morto, pois sabem que dignidade é uma veste única. A dignidade é a veste de um guerreiro, e o acompanha.
Pobres de nós! Ficamos com os cães que ladram...
março,2001
Volta
O Carnaval das 2001 Noites.
Exército de presos. Cinzas da moral!
Foi-se a idéia medieval de que um país se faz com homens e armas. Chega à nossos olhos as fantasias sexuais, alcoólicas, inebriantes do Reinado de Momo. Finalmente o carnaval do nôvo milênio, noticiadas com progressos compatíveis à tecnologia celular, compatíveis a um eficiente Comando de Presidiários que, a uma só vóz, em uma hierarquia perfeita, torna ridícula a expressão de um exército que nem ao menos reconhece nosso estado de revolução interna. São milhares de reféns, dezenas de mortos e uma incompatibilidade de compreensão e avaliação sempre vista nas fantasias das avenidas.
Nossa Escola de Samba tem as seguintes alas: Celulares aos presos. Grades ao povo. Insensibilidade ao falastrão senador, dono do país (destaque em carro alegórico). Comandos em merecidas férias. O Exército dos que não foram. Horas extras aos políticos. Leão nos assalariados. Legalização aos contrabandos. Anistia e admiração aos corruptos... e eu, canto sozinho: saudades da vaca louca. Meu Abre alas é: Ferrando Eu-mico Carlloso...
Prefiro a Globeleza. Embora a Rede Globo tenha tirado dez, como sempre, em criatividade, para não fazer propaganda direta em favor de Silvio Santos. Meus sonhos em fantasias, ficam na minha Salgueiro, cheios de saudades do Ita do Norte, onde me parecia que a arquibancada iria desabar sobre nós, para dentro da Sapucaí, e meu explode coração escala o ataque da seleção, com Romário, Ronaldinho e Animal...
Não! Este país com tanto, não pode ter apenas Micos, dourados ou não. Não! Não estamos sendo extintos! Estamos começando o primeiro carnaval do milênio. O ano começa logo depois, na ressaca de cinco de março. Há pessoas sérias, que desfilam alegres na avenida. Há gente que ama com alegria, pelo simples prazer de amar. Há simplicidade na maior parte dos seres humanos, porque há vontade de viver melhor, embora já não saibamos bem o que seja isto. Há moral e ética na maior parte dos brasileiros, embora nossos exemplos não sejam feitos de honra. Ah, meu lindo pendão da esperança... acena-me com uma bandeira branca, e tenha-me num pedacinho colorido de saudade... afinal, amanhã, vai ser outro dia...
carnaval,2001
Volta
A Tresloucada Vaca
e sua corte suprema.
Há uma vaca louca no terceiro mundo,
que faz dissimulações fantasiosas ao público eleitor, cada vez que brinca com o assunto poder. É uma cortina de fumaça que encobre o assunto principal, normalmente amoral, não raramente imoral, objetivando o entretenimento da mídia e, por conseguinte, do público eleitor.
Divertem-se os pares jantando o poder, comendo à mesa posta pelos esfomeados, alguns poucos cento e sessenta milhões de sub-habitantes, pois o poder nunca é saciado totalmente em sua fome. O poder inebria, pedestaliza. O poder subverte. Muda conceitos. Muda a fisionamia, o procedimento, altera os sentimentos, mas não muda de lado. Ou passa-se para o lado do poder, ou fica-se junto ao povo, sendo um deles. O poder prende. Aprisiona. Holocausta. A Grécia antiga que o diga. A nazista Alemanha, que conte. Os re-eleitos justificam. Os sempre eleitos, os políticos profissionais, comprovam: há um sabor indelével, de raro néctar, nas poltronas camerais.
Mas não há nada de novo no reino do Canadá. Há um procedimento austero. Desconfiado das vacas importadas na década de noventa, que procriaram. Procuram-se a possibilidade de gens "das loucas européias". Qualquer país com fiscalização austera de saúde, enviaria um veterinário chefe para pesquisa in loco. Naturalmente que o Brasil, para um caso inverso, enviaria um ministro ou dois e grande corte, pois um boing vazio seria anti-econômico. Mobilizou-se uma população inteira contra um país amigo. Infestou-se de ódio o cidadão comum que, em alguns casos, deixaram de falar com vizinho canadense, em seu bairro brasileiro, elegendo-o inimigo. As caras eleições fechadas do congresso, precisavam panos de fundo, para que o circo não mostrasse as caras lonas de seu picadeiro. Para que o show dos raros animais não fosse prejudicado. Para que o animador, mestre sem cerimônias, pudesse anunciar: "Respeitável público: diretamente da América do Norte a única vaca louca de toda a face da terra! Não percam..."
fev,2001
Volta
O País Provisório
e suas medidas...
Há um país paraíso chamado Brasil. Há um país fértil, em que se plantando tudo dá: qualquer semente em seu solo germina. Há fartos mínérios em seu sub-solo. A maior floresta. Os maiores rios. O maior pantanal e mais lindo. As mais lindas mulheres em suas praias febris...
Já não há futebol como dantes, mas há a alegria não mercenária das torcidas, que por paixões não explicadas, abdicam da vida por um grito de gol, que nem sempre germina! Há os bem mais que trinta dinheiros não escondidos, tampouco disfarçados nas cartolas de ouro, que sempre se soube para que bolsos iriam, mas nunca apurou-se de quem devia.
Há o país do desdém, dos pobres pedintes, moribundos por opção, alguns traficantes, algum outro ladrão, que farta-se na mesa da impunidade, acobertados por grandes, que juram inocência, cassados, coitados, por injustos flagrantes, pois se roubaram do povo, igualmente roubavam de sí, sem responsável maior que o desgoverno real...
Há um país tão pobre de sí, que para governá-lo, os pares eleitos, necessitam de esfôrço concentrado, horas extras e mídia cruel, para porem provisórias medidas, e ameaças bestias de não votarem mais, caso não ganhem milagres, encomendados nos engasgos de um povo missigenado, onde saúde e salário seriam dádivas, onde honra há um trabalho é um grande favor.
Há um país que irá se formar nos mil anos de paz, cantado nas Centúrias de Nostradamus, que necessita entender coisas simples: os políticos são coringas, não são administradores, salvo raras excessões. Necessitam-se administradores à todos os níveis. Necessita-se entender que um país é uma sociedade de gente (humana) que, para compreender suas necessidades, teria que receber, por direito, em sua cesta básica, um artigo de absoluta prioridade: educação recheada de cultura. Mas a ninguém interessa um povo culto, questionante. Assim sendo, como está, permaneceremos um país de mediadas provisórias, descabidos na lei, profanados na política, desgraçados na fome, na saúde, na educação, nos velhos, nas crianças, nos doentes mas, sempre salvo pelas vacas loucas, pelos gols do Romário, pelas "agressões" da "retaliação" Canadense, assim como já fomos "ofendidos" pelo francês De Gaulle, considerando-nos um país pouco sério.
PS.: o Congresso vai sair no carnaval, sem medidas!
fev,2001
Volta
Fórum Nada Social
De Porto Alegre para o mundo...
O fim justificam os meios? O ativista francês José Bové, convidado ao Fórum Social Mundial, após participar de uma invasão de terras e destruir as plantações trangênicas, foi preso e a tentativa de sua deportação, pela Polícia Federal, deu em nada. Ele viajou na hora determinada por ele, com sua própria passagem, prometendo voltar ao país em junho. Não creio que possa haver uma derrota maior de uma polícia, da própria justiça e, naturalmente, de todo um propósito social de um país, quande este é refém de um despropósto. A mensagem básica do Fórum é louvável, mas, há uma afirmativa ainda vista em alguns quartéis, em letras garrafais em seus muros: "Se queres paz, prepara-te para a guerra". Seria este o ensinamento para o nôvo milênio, tratarmos filosofias medievais como soluções sociais? Seria apenas esta a função de um exército? Aos protestos, resolveremos tudo socialmente: invadindo, destruíndo, ironizando os conceitos da ordem, teóricamente, estabelecida?
Parece-me que o social, também prefere vender cocaína! Invadir povoados. Matar velhos e meninos. Vender armas. Vender a alma. Comprar cadáveres. Parece-me que convidados de honra do estado, com direito a hotel cinco estrelas, com direito a segurança absoluta, com direito ao anonimato produzido, com direito a ministrar cursos de guerrilha, em nosso país continente. Com direito a entrar e sair deste país, quando quizer. Com direito a rir da polícia que o prendeu, em nossa fronteira, por ser tudo isto que a nossa lei diz ser contravenções ou crimes e, no dia seguinte, receber as desculpas, sua liberdade, muito bem bradada, mas, e a liberdade dos que foram suas vítimas, não conta?
Assim, em favor do que eu penso, ninguém pode ser contra, mesmo que eu seja contra e destrua tudo o que te pertence, e todos os teus conceitos, e todos os teus amores e conquistas, e todos os teus sorrisos. Pois, assim, os meus meios, justificam o teu fim! Não, eu sozinho não posso mudar o mundo, nem o social, posso apenas refletir e mudar meu íntimo, para me tornar mais humano. Assim sendo, o fim não justificam os meios. Solidificam! Assim como os corações, donos dos capitais...
fev,2001
Volta
Fórum Social Mundial
De Davos à Porto Alegre.
Saber se o socialismo, ou o capitalismo seria a melhor forma para o ser humano, seria generalizar demais... A proposta do Fórum Social Mundial - de 25 à 30 de janeiro - será levantar questões sobre os caminhos de vida do ser humano. Uma resposta aos trinta e um anos de Fórum de Davos, Suíça, onde reúnem-se Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, líderes econômicos, cerca de 70 organizações não-governamentais e representantes da sociedade civil sob o lema: "apoiar o crescimento e preencher as fissuras" entre ricos e pobres!
O capitalismo insiste em reduzir as desigualdades da globalização, especialmente no hemisfério sul, com ênfase para a educação. O governo americano adverte seus cidadãos para não viajar à Davos. Um clima tenso paira sobre a Suíça. Em Porto Alegre é rejeitado o princípio neo-liberal, acusando-se o capitalismo mas, é prudente lembrar que os USA, berço do grande capitalismo e mesmo os fortes países Europeus, não se utilizam deste neo-liberalismo, resguardando seus capitais em lucros, como dádivas e obrigações dos governos. O terceiro mundo, como o Brasil, adotou este sistema, não muito claro e, é verdade, repassou mais da metade de sua imensa e sempre crescente dívida externa, à atividades privadas - especialmente aos bancos - livrando-se do massacre dos juros. É verdade que leiloou o patrimônio nacional, isto é, o patromônio de seus cidadãos, por pouco mais de trinta dinheiros, parece-me, esquecendo, que o pior não é a dívida externa e sim, a massacrante dívida interna desde país.
O Fórum Social Mundial propõe a procura de novos caminhos para humanidade, o que é ótimo e oportuno. Propõe espalhar ao mundo novos marcos através de líderes e porta-vozes que levariam estas novas perguntas aos quatro cantos e, para que estes, organizem mecanismos de divulgação para suas células sociais, o que é maravilhoso e, igualmente, utópico!
Há facções politicas em demasia e, ao que me parece, pendendo apenas para um lado. Oxalá seja um grande engano meu, pois ao social, se deve a plenitude. Ao ser humano se deve a paz, a saúde, a educação, a distribuição de rendas e de trabalhos. Ao ser humano se deve a vida e o direito de ir buscar esta vida e seu quinhão, que roubaram dos índios, que estão vindo ao Fórum. Que roubaram dos negros, que são representados neste Fórum. Que o nordestino não sabe que existe. Que o peão das estâncias do sul já ouviu falar e sabe que é uma lenda que galopa em seus pampas, nas noites de lua cheia.
Enquanto pensarmos em duas linguagens apenas, socialismo e capitalismo, acusaremos a outra de ser perniciosa. Acusaremos o capitalismo de criar a desgraça ecológica, sabendo que o socialismo criou o maior acidente dete gênero: Chernobil!
Enquanto persarmos no Social e democrático, e agirmos com liberdade, estaremos crescendo interiormente. Entretanto, o alardeado convite e presença do banido líder cubano, não nos permite esquecer que este palestrante, a poucos cinco ou seis anos, era par e mandante da tortura, da perseguição e paredões da ilha que tem Havana. Ao final das atividades deste Fórum, o happy end, que imagino festivo, terá como convidado um escondido guerrilheiro colombiano, procurado em seu país e no mundo, por atrocidades de suas guerrilhas, reconhecida como criminosa contra a humanidade. Esta criatura, que tem seu nome não divulgado, portanto acobertado pela organização social mundial, já esconde-se em Porto Alegre, naturalmente, muito bem protegido, donde conclui-se que a coragem esconde-se nas armas, nos bandos e na covardia, que ataca desprotegidos pelas costas.
jan,2001
Volta
Da CPI do Futebol ao Ditador Pinochett:
Somos Bi no TOP 10 do iBEST.
O mundo se desenvolve como deveria...
apesar de não compreendermos, muitas vezes. De não aceitarmos, outras vezes mas, a vida, como reza a desiderata, se procede inexoravelmente como deveria.
Melhor seria prestar mais auxílio a quem precisa mas, por vezes, somos nós nosso maior necessitado. Lembro sempre do poder do dinheiro e nos poucos que detém muito deste poder, que somaram fábulas no esporte, ao qual muitos nunca jogaram, jamais foram atletas, mas governam soberanos numa política das bolas, que me lembra um jogo de azar. Azar do atleta machucado. Azar do tolo público que tanto paga. Azar da paixão pelo time, pois meu coração de torcedor não entende nada das derrotas dos trinta dinheiros. Não compreende como um adoecido atleta é obrigado a jogar machucado e corrompido. Não compreende que valores atléticos colocam um causador de mortes e problemas nos palcos do bretão esporte, e nos condenam a derrotas morais. Há festivais de incompetências. Há sofreres sem esquemas de jogo, há tapetões manipulados, com rendas recordes incontáveis, dividas por seis, oito espectadores que, como deuses, compraram as verdades, inverteram as virtudes, e desprezaram as ilusões poéticas dos meninos que jamais viram os pelés e garrinchas, mas já sonharam com eles.
Aos deuses-reis e sonhorios do futebol, eu lembro-lhes de Pinochett, o ditador torturador que passa dias sem glórias e, mesmo se quizesse remanejar seus tantos males, prova o gosto de um deus sem milagres, sem a possibilidade de, se arrependimentos sentir, fazer voltar a vida os desconhecidos condenados, sacrificados à pátria por coisa alguma, e os prantos inférteis dos amores que ficaram...
Construir com arte é prova de amor à natureza. Administrar com paixão ao próximo, deveria ser uma necessidade. Não mais que obrigação. Brindar às conquistas, é forma de agradecer, de reverenciar a quem auxilia. a quem reconhece, a quem estimula, pois aquele que dá de sí num gesto simples, manifesta paixão por sua vida e gratidão por sua existência. Somos, da Canalzero, novamente escolhidos Top 10 no Ibest, o maior prêmio mundial da internet. Duas vezes consecutivas nas duas inscrições que fizemos. Nossa dupla gratidão a quem nos brindou. Nossa reverência será mais trabalho, mais entretenimento baseado em arte, sempre em busca da verdade objetiva, mantendo a paixão como porto de partida e a gratidão como bússula fiel.
jan,2001
Volta
Feliz Novo Milênio
Acredite na Mágica dos Sentimentos.
Pode ser num detalhe. Num pequeno momento. Num afago ou em um gesto. Pode acontecer num inesperado suspiro. Pode ser amor no mais amplo sentido. Pode brotar de uma música, de uma cândida melodia, como a que eu escuto agora, pela milionézima vez, e me parece a primeira: New York, New York. Ouvi a pouco outra música fantástica chamada "She". Estas e tantas outras, nos transportam para sentimentos que existem e, se existem, residem em nós mesmos, por sermos capazes de amar. Por sermos nossa vida. Por contermos nossa vida em nós mesmos. E, apesar de nós, de nossas formas e manias, somos sentidos e emoções...
Agora, quando toca "Wonderful World", com Armstrong, sinto realmente que o céu pode ser azul, que o arco íris existe, e sinto comigo, que mundo maravilhoso pode brotar de meus sentimentos. Yesterday, Beatles, transporta-me até um infinito que sempre vivi. Eu, que sempre disse coisas para não ferir, não magoar, não causar mal, preciso admitir os males que já causei. Igualmente, preciso admitir que males sofri. Mas imagino que possa haver um mundo melhor. Um mundo onde a globalização é uma verdade, uma realidade, mas não é uma solução. Assim como o capitalismo e o comunismo e socialismos, morenos ou não, castristas ou não, nunca foram soluções.
O que espero é que acredites que possa haver mágica em cada gesto, pois são teus sentimentos, como os meus, que podem ter a esperança de um mundo melhor. Assim como Lennon e os Beatles, assim como nossos amores e amigos, tu e eu, (que acredito ser o palhaço de mim mesmo), acredito que o mundo possa ser um só, não dividido em guerras, em ódios religiosos, em ganâncias, em atitudes estéreis, mas unido na possibilidade mágica de sentimentos, que caminham desde a saudade até a paixão. Se não há amor, não resta nada. Havendo esperança, haverá o sorriso, escondido, contido, guardado, haverá o sorriso maroto, brejeiro, faceiro, de quem espia de perto a possibilidade de abraçar a sí próprio e de alcançar o estágio de ser, que chamamos amar.
Acredite: a mágica existe. Feliz Natal. Seja gentil contigo e te permita abraçar e beijar. Te permita perdoar. Para se ir até a felicidade não se pode levar a culpa. Ela pesa demais e ocupa todo o nosso coração. Deixe o coração mais leve. Com menos peso, se chega mais rápido até o lugar encantado, chamado liberdade...
Natal,2000
Volta
Coisas de Final de Milênio
Piedade ao Lalau. Perdão aos USA.
Dizem que o final de um século guarda sempre surpresas. Contam, e são sempre poucos sobreviventes a contar, que o último ano de um século é tenebroso. Agrava-se, por ser sempre bissexto. A maior potência terráquea, inventora do computador, mãe da internet, maior vendedora de bits, descobriu estarrecida, que suas colegiadas eleições não tem computador. Aqui, no terceiro mundo brasil, come-se o pão que o diabo amassou - quando há pão - mas contamos os votos no mais moderno sistema, sem colégio eleitoral, em uma democracia que nos obriga a votar, sem deixar grandes dúvidas quanto a fidelidade da contagem. Ainda me pergunto sempre sobre a ética: nas eleições daquelle presidente, o Collor, o Juiz do Supremo Tribunal Eleitoral, o encarregado de todas as eleições, após o resultado, foi anunciado Ministro do presidente eleito, dois dias depois. O Governador Brizola denunciou fraude, alicerçado por Embaixadas. Mas o magnânimo juíz ouviu como um mercador. Confirmou a eleição, renunciou ao cargo vitalício e assumiu como ministro. Depois, renunciou ao ministério e, pasmem, reassumiu ao cargo vitalício dantes renunciado!
Os americanos fizeram chacota de suas eleições. A imprensa vendeu mais do que nunca. Os programas de humorismo só pautaram as eleições. Criaram jogos infantis, bonecos de "Gush" e de "Bore"... Brigaram com o sistema mas, no empate técnico, a honra da retirada ficou com Mr. Liebermann, enquanto Mr. George Bush torna-se o primeiro presidente do planeta, do novo milênio. Todos os "vivas" ao Mr. Clinton, que sempre lembrou os Kennedys - sem tragédias - e que o americano queria para mais um novo mandato impossível. Queria para mais um escândalo. O americano descobriu que estagiárias vendem mídia, podem ser criativas sexualmente, estabelecem um novo padrão de beleza se comparadas as magérrimas modelos; que a atual primeira dama é tão resignada quanto a Jackie Kennedy, que nunca aceitou se candidatar. Descobriu ainda, que a filha do casal Clinton também gosta de estagiários... Ah! O americano... Vai esquecer estas eleições. Morrerá de saudades de seu Bill, o presidente! E será feliz neste novo século.
Não prenderam o Lalau! Por magnitude de conciência, ele se entregou. Cabra honrado: se deu para os gaúchos. Regalias nas selas: tv, ar condicionado, desjejum, almôço, jantar e ceia. Celular existe até em cela comum, não é regalia. Habeas Corpus e liberdade nas datas significativas em sua mansão, é apenas questão de tempo. Como argumentou o advogado, que mal pode causar um senhor de mais de 70 anos? E a imagem do "bode expiatório"? Todos da gang deixando a culpa cair nos sacrificados ombros deste pobre ancião! Imaginem outra agressão: a Globo e a Bandeirantes atrapalharam a academia do pobre cassado, ex-senador Estevão, o amigo do Lalau. Deve ser desreipeito e agressão a individualidade! Coitado. Será que o o Sr. Estevão, o juíz Lalau e os senhores do futebol, se conhecem? As emissoras insinuaram algo contra o Sr. Teixeira, da toda rica CBF. Disseram até que há lavagem de dinheiro e escravidão de atletas. Ofendem o super técnico Luxemburgo, aquele que sabe tudo de futebol, e que nunca abusou sexualmente da arrumadeira de um hotel, lembram? Pobre da Nike. Acusada de marcar jogos absurdos por miseros dinheiros. Será que jogaram? A seleção colarinho permitiu que aqueles mal remunerados operários do futebol jogassem? Terá sido de graça? Terá sido com graça? Com futebol arte?
Quantas pizzas poderemos comprar com aqueles cinco milhões de Collor? Com os 169 do Lalau, Estevão e amigos? Será só isto? Onde foram parar aqueles outros cassados das CPIs? Os todos poderosos que negociavam tudo e todos? Já esqueceram? Cuidado: eles e elle, vão voltar, agora, no novo milênio! Há uma nova receita para o final de ano. Talvez se consiga negociar antes do natal para nosso Canal Arte/Receitas. O Título é: Uma Doce Pizza Caimã com recheio Suísso. Só pode ser acompanhada por champanhe francesa brüt, que deve custar uns 169 mil contos de réis...
Tome cuidado ao consumir: não convide amigos, principalmente se forem políticos, jogadores de futebol ou afins. Declare seu custo no Imposto de Renda, não esqueça. Cumpra sempre sua obrigação de brasileiro honesto. Cuidado com o ano bissexto e com o final de século. Até o próximo milênio, com certeza, não estaremos mais aqui para enfrentar as minhas bobagens. Quanto aos políticos, dirigentes, jogadores e juízes eu não tenho tanta certeza pois, com tanto dinheiro, inteligência e dignidade, estas criaturas devem ter providenciados seus clones para perpetuarem suas espécimes, pois alguém, e ninguém melhor que seus clones, isto é, eles mesmos, poderão gastar suas reservas, em espécie!
Dez,2000
Volta
Nosso Número 1
Tenis, um esporte honesto.
A maior decepção de um povo, é perceber a impunidade de grandes vultos contemporâneos, a malfadar os cofres, a moral, e a paixão de terceiro mundistas, que elegeram, por absoluta afinidade grupal, o esporte bretão, de Pelé, Garrincha, depois Rivelino, Gérson, Romário e ainda centenas de craques, como seus verdadeiros soldados diplomatas, artesões de um sentimentos percebido desde os pés desta pátria, que ainda anda descalça, ainda anda com fome, sem vestes, sem saúde, sem previdência, desgovernada de conceitos éticos...
A pátria do futebol, esta pátria que continuará sempre sendo a pátria de um rei negro, prova a verdade das desconfianças escusas, das negociatas escravas, que envolvem grandes marcas mundiais, que envolvem os considerados "mandatários" do esporte neste país, que envolvem políticos e outras expressões e que as torcidas sussurravam desconfianças e, quando um povo comenta, lembro-me das rezas, pois "a voz do povo é a voz de deus..."
Triste sina deste país continental, que em se plantando tudo dá. Parece-me que plantamos falsidades e falcatruas em muitos hectares. Parece-me que não adubamos de ética a filosofia brasil.
A vantagem é do tênis. A vantagem é de Guga, nosso herói de honra, lá de baixo da ilha de floripa, a histórica Florianópolis, assim intitulada pelo marechal político que se auto-homenageou. Nosso melhor do mundo é de rara humildade, pois até no futebol é torcedor do Avaí. Sem as arrogâncias de técnico. É um comedor de bananas a cada set. É um garoto que sabe por quem sopram as cornetas de glórias, mas gente o suficiente para congraçar com as ondas do mar e preservar a moral de um sofrido povo, formado por mais de 160 milhões de técnicos de futebol.
Dez,2000
Volta
A Contagem Regressiva:
USA; O Amargo Regresso Tecnológico.
A maior nação terráquea vive o caos de um escrutíneo manual sem precedentes. Mr. Clinton encerra um mandato assistindo as trapalhadas de uma contagem de votos, sem saber se deseja esquecer o vexame, se deseja conhecer o sucessor ou se prefere um novo caso da Mônica. Virou chacota mundial o maior e mais forte país do planeta, não conseguir contar seus votos.
Para felicidade geral da nação, não são milhões de votos. Os Estados Unidos, até a semana passada, vangloriava-se de ter um Colégio Eleitoral respeitável, representativo da nação da águia, aliado ao poder de informática, produto este, que exportou ao mundo, ridicularizando toda e qualquer republiqueta de lápis e borracha.
E agora Bill? Como sempre, as redes de televisão aproveitaram bem o escândalo, puxando para sí audiências comparáveis a cobertura ao vivo e a cores da Guerra do Golfo. Os programas shows e humorísticos se confundem em seus teores. Os políticos calaram. O próprio presidente, amado pela nação do norte, brinca com a situação caótica, que deve apontar o novo presidente entre, aproximadamente hoje ou amanhã, ou em uma semana. O certo é que, antes do novo milênio, deveremos saber com precisão, quase absoluta, quem irá se tornar o homem mais forte do mundo.
Nov,2000
Volta
A Feira do Livro
A ilha de cultura do Porto dos Casais.
A maior Feira a céu aberto da América Latina, pelo menos, já está em sua 46a. edição. O cenário para a mais longa das feiras já realizadas, é a tradicional Praça da Alfândega, no centro em Porto Alegre, de 27 de Outubro à 15 de Novembro, e catapultaramm números invejáveis: foram mais de 500 sessões de autógrafos, a maioria realizada no pavilhão de autógrafos, com 210 stands, ou barracas como são carinhosamente chamadas, em sua maioria comercializando livros e as demais divulgando instituições, entidades e atividades de apoiadores e patrocinadores.
Com chuva ou com sol, o tempo nunca impediu a realização deste sucesso; a sineta conclamou a literatura de forma perfeita, na praça do centro de uma cidade capital e provinciana, com um patrono gaúcho, Barbosa Lessa, homenageando a França, em seus mais de oito mil metros quadrados, sendo seis mil e quinhentos cobertos por estruturas de ferro com lona.
A Câmara Riograndense do Livro, presidida por Paulo Flávio Ledur, utilizou o Museu de Artes do Rio Grande do Sul para exposições, o tradicional Clube do Comércio para atividades administrativas e palestras, o Memorial do Rio Grande para atividades culturais, interligando prédios históricos, suas arquiteturas, fundando uma república cultural, por fartos vinte dias, já com a convicção de que todos os anos, nesta mesma época, no mesmo local, haverá uma nova revolução de paz reunindo povos, crenças, cores e sonhos, fazendo pensar que o mundo, deveria ser governado por poetas, suas leis, seriam apenas poemas e seu povo, cantariam versos... A Feira do Livro foi encerrada em linda tarde de sol, com 40 mil exemplares vendidos em seu último dia, o dobro da média diária de vendas, com rosas vermelhas para os participantes deste até breve! Até o próximo ano...
Nov,2000
Volta
A Ingenuidade Política
Há metais que não se fundem.
É ingênuo pensar que um cidadão eleito vai realizar as promessas de palanque. Assim como confiar para um urso um pote de mel. Há, em cada um de nós, a necessidade de vislumbrar um futuro digno. Um procedimento administrativo correto. A realização da honradez da palavra. Mas, há um pensamento antigo, de Silveira Martins, nome homenageado por uma rua lateral do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, que afirma: "Idéias não são metais que se fundem..."
O fanatismo tem sido um dos males da humanidade. O pensar linearmente. Pensar em bloco. Todos com o mesmo pensamento, mesma cor, mesmos sofismas, mesmo credo! Uma verdadeira religião política! Liderados, naturalmente, por um onipotente. Um todo poderoso! Acima de qualquer suspeita. Quem ousar pensar diferente, ou simplesmente, pensar, peca! Está proscrito!
Hitler é o melhor exemplo! De quantos hitleres é feito nosso país? Antes de qualquer eleição, perece haver sempre um querendo este poder. Depois das eleições, onde somos democráticamente obrigados a votar, fico com a certeza de que há sempre um, e pelo menos um, em cada partido! Restam algumas perguntas tristes: e o discernimento? Somos metais? Metais idênticos? Nossas idéias são rigorosamente iguais a de meus partidários? Não penso? Sendo assim, existo? Não me é dada a graça de não concordar? Os índios, do pouco que sabemos, administravam para o bem comum. Eram de mesma raça, mesmo credo, viviam em pequenas nações e, ainda assim discutiam, por terem diferenças em seus pensamentos. Mas, deve ser por que os metais ainda não haviam sido descobertos... Eles eram muito ingênuos!
Nov,2000
Volta
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