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Opinião Semanal
Coluna


As Burrices do Eleitor Brasileiro

e os mesmos candidatos ao poder.

     Vocês, que já viram a culpa da cadeira do senado, ocupada por ACM e por aqueles outros impávidos marotos, não tiveram vontade de queimá-la? De prendê-la, quem sabe? De deixá-la incomunicável, presa em calabouço, degradada? Como pode uma simples cadeira, fazer tanto mal ao país? E ficar com toda a culpa? Cassa-se a cadeira, em renúncia, e cessam-se os males? Agora, responda aqui, bem baixinho, ao pé do ouvido, como se estivéssemos fazendo uma trama política, um conchavo: será que estas cadeiras renunciadas, não foram vítimas das más companhias? Eu sempre desconfiei das mesas do senado, com aquelas teclas eleitoras. Acho que foram elas, pois, as cadeiras, são de couro azul. Não são qualquer uma, são nobres. São ricas!
     Talvez possamos ter, nas próximas presidenciais, a mais linda primeira dama! E, isto, é tudo! Conchavos à parte, Ciro Gomes, Dr. Brizolla e Itamar, não perfilam-se em carreiras opostas? Em colunas de outros flancos. Sabemos que, à Brizolla, devemos a resistência à golpes militares que, seguramente, teriam banhado de sangue e nos destinado a miserabilidade de um quarto mundo. Sabemos que foi traído por ignóbeis, por aproveitadores, por espertalhões, que venderiam a própria mãe, e a entregariam. Mas, e o trabalhismo?
     A força de Brizolla cessou. É verdade que ainda tem poder para destroçar um Bisol, da candidatura à vice, com Lula, quantas vezes quizer. Aliás, o Sr. Lula, ainda nos deve um mandato. Como Deputado, foi um grande fracasso. É mais fácil ser presidente de partido, num faz de contas político, com verbas internacionais. Pelo menos, esta conta, ainda não estamos pagando. Alguém já se perguntou, sobre a gratuidade destas verbas? Quando serão cobradas?
     Mercadante, é de rara competência! Seria muito bom para o país, embora não tenha experiência administrativa e, precisamente isto, é o que falta ao Brasil. Administradores. Não aos políticos, aos conchavos, ao amadorismo administrativo.
     Quem mais? Collor! Não há semana que elle não esteja no Flash, da Bandeirantes. Amaury, como ministro, seria meteórico. Um flash! Aliás, quem já empossou o vitalício Ministro do Supremo Tribunal Eleitoral, Dr. Resek, no dia seguinte de sua eleição, como próprio ministro, pode rejeitar a outra rede que o elegeu, na vez primeira - a Globo - juntando um pool de emissoras com a Band, com SBT, com Sr. Silvio Santos de vice, com Rede Record, o Bóris é um excelente secretário de imprensa, Gugu na saúde, e uma igreja de cabo eleitoral.
     Triste, é o caminho para se chegar à democracia. Mas, um caminho que se faz caminhando e cantando, e seguindo a canção, não somos todos iguais, mas ainda o ferro tange e mata, lembrando da opressão militar, dos tiranos, dos covardes.
     Triste é o caminho que devemos percorrer para nos iludir e pensar que, um dia, chegaremos até lá, na democracia. Teremos, um dia, o direito de votar. Teremos o direito de ver nosso voto nulo, se eleito, retirar uma cadeira das câmaras, como uma punição à todos os candidatos, ao invés de punir a cadeira, simplesmente, por má gestão de candidatos.
     Um dia, na democracia, veremos o voto branco, outro sempre muito votado, manter em branco a cadeira vazia, por todo um mandato. Um dia, lá, na democracia. Enquanto isto, nós, os eleitores, acometidos de burrice crônica, continuamos a discutir política em favor de menestréis safados, que não se afastam um dia, desta procissão de cartéis.

agosto,2001


Volta


As Repúblicas do Sul

de um país acovardado.

     Nova guerra do Paraguai, bradada em campo de futebol, em prol de heresias político-futebolísticas, determinam ao Rio Grande, lavar a honra nacional. Pergunto sempre: que honra? Seria a de Jader Barbalho? De ACM, o corrido ex-senador impune?
     Da república Catarinense, aí sim, lava-se a alma brasileira, com o garoto Guga, o número um do tenis mundial, que nada deve ao Brasil, mas os brasileiros reverenciam, justa e dignamente, pois os governos ainda não ergueram estátua à este herói quase solitário, como nunca se reverenciou condignamente à campeoníssima Maria Ester Bueno, deste mesmo esporte. Ainda não foi feito o mesmo com Pelé, e isto é incrível! Ainda não reconheceram Fittipaldi, Piquet, Senna (é o povo apaixonado e saudoso quem faz), para citar apenas alguns poucos, que deram alegrias e orgulho ao maltratado povo brasileiro. Deu-se fuscas aos tri-campeões, isenção alfandegária aos contrabandos dos tetra campeões, mas isto era futebol... Dá-se benesses aos deputados, senadores e alcoviteiros políticos, interesseiros políticos, mercenários políticos. Não dá-se saúde ao povo, escola à crianças, amparo aos velhos, que trabalharam uma vida, que sustentaram tantos anos este país...
     A república Paranaense é o melhor exemplo de um futuro, deste quase utópico país. Curitiba é arte e cultura, atenção ao povo, determinados não por sua Carta Magna, mas pelo bom senso humanitário de administradores, pouco políticos, e sensíveis homens e mulheres que se encarregaram de manter a direção dos trabalhos, em benefício daqueles quase dejetos - que são apenas os contribuintes - quase sempre objeto de escárnio dos períodos pós eleitorais.
     Rever conceitos é uma necessidade diária! Quem sabe começamos a pensar nossa realidade mais dura, que não é a fome, nem a falta de luz própria dos chamados administradores, que são apenas coringas políticos, e não perceberam o túnel, para nos entalarem nos apagões. Aliás, estes macabros cidadãos, ainda nem perceberam, que faltará água potável em duas ou três décadas. Que a população cresce descontroladamente. Que, possívelmente, já existam clones humanos. Que nossos anciões precisam de apoio, amparo. Comecemos com uma realidade mais dura: não somos mais o melhor futebol do mundo, há muito tempo! Instaurem uma CPI! Encomendem as pizzas! Ponham a culpa em alguma laranja. Pode ser até aquela, conhecida no sul, como "laranja de umbigo". Sejam rápidos. Estamos em agosto. Ano que vem tem eleições, e poderemos eleger a mais linda primeira dama de todos os tempos, a Patrícia da Globo. Confesso que cantarei mais feliz aquela cantiga infantil: "da laranja quero um gomes, do timão quero um abraço, da morena quero um beijo,..."
agosto,2001


Volta


As Tietas estão de luto:

Jorge Amado disse adeus.

     Dona Flor renunciou a seus dois maridos e Teresa Batista, cansada de guerra, teve um desânimo, sentiu um alívio, sorriu para as letras mas, não disse adeus. Não teria por que um adeus!
     Hoje, todos enlutamos. Foi-se Jorge, amado Jorge, literato Jorge, o Jorge da Zélia, o Jorge da Bahia, do Brasil, de idéias tão sociais, da política do Prestes, da cadeira de 46, de Paris. O Jorge das letras se foi. Antes dos noventa, em dois mil e um, com marcapasso, com compasso, com versos, com rima, levou sua vida consigo, quiçá para fazer versos em algum depois.
     O Brasil ficou sem mais um! Obrigado Jorge. Té depois!
agosto,2001


Volta


O Pior do Mundo em Futebol,

Ética, Moral, Honestidade...

     Óh, honduras vida! Triste não é perder. Triste é não jogar. Nós não jogamos! Não chegamos a perceber que havia um torneio. Creio que houve um tempo, em que os jogadores tinham prazer em servir (de graça) à pátria. Creio até, que no século passado, houve um negrinho chamado Pelé. Um perna tortas, que era Mané, um Vavá, um passado. Não é dele que se vive mas, não do presente também, porque não há! Foi-se o tempo da pelota, balão de couro, veio o tempo da cueca de couro e os gays, indignados, querem as bolas que não rolaram, do técnico amortecido, adormecido, resignado. Quantos dos que foram, jogas bola? De gude? De "Inhaque"? Jogam pedrinhas n'água, se querem saber... Jogam nada. Reclamam de seus nababescos salários que, um milhão de trabalhadores brasileiros, somados, não ganharão, em todas as suas vidas somadas, em um décimo de tempo trabalhado de apenas um, desdes destemidos operários do futebol, que ainda vibram com os sonhos de serem campeões ou classificados, não importam as posições!
     Uma pálida seleção não precisa de moral. Precisa de FUTEBOL. Moral, quer dizer, vergonha na cara. Devolver o dinheiro, ganho ilícito, por paga de um futebol que não há. Devolvam o dinheiro para as crianças famintas, sem lar, sem esperanças, doentes e carentes, que agora não sonham sequer com futebol. Vocês mataram a bola. Os sonhos e fantasias. Por favor, só não devolvam aos ricos governantes da chamada Confederação. Se houvesse honra, teríamos sua demissão. Sem CPI. Sem investigação! Livraríamos do mal, amém!
     Expulsem do país, proponho, todo o perna de pau. Mandem junto o Lalau. Os cassados, os Nahas, os demitidos, os políticos traídos, as traíras, os dourados, todas as pizzas, todo o senador com cabelo e os sem cabelos também. Mandem junto a conta do FMI...
julho,2001


Volta


As Agonias Não Tem Fim.

Argentina, Brasil, Salvador.

     Ficar com o presidente de um senado ameaçado, já parece ser ameaçador. Ponho as barbalhos de molho. A Argentina, falida, só determina nova aflição ao bolso brasileiro, pois, a tal da aldeia global tem, por hábito, subtrair sempre os duros e cançados níqueis que se prestam à nossos bolsos e, que ali residem, sempre por pouco tempo.
     Vejo uma função ao exército, finalmente. Salvador, por tempo curto para nós e, seguramente, infindável para os baianos, recebe o exército para proteger um pouco, dos desatinos, dos desmandos. Do poder pelo poder. Uma salva ao descontrole. O abismo desmedido da falta de administração que, repito, insistentemente recai nas mãos políticas que de nada entendem disto. Os coringas políticos, especializados em coisa alguma, empurram por vários períodos, as situações que os administradores de profissão resolveriam em uma tarde.
     O Brasil está quase salvo! Fez uma vitória no Peru. Não lavou a honra verde amarela, mas dá sinais de sobrevivência. Creio que outra vez somos vítimas dos mandos políticos. Uma CBF política, sem conceitos administrativos, sem ética, como quase todos os que lucram com o futebol, nomeiam o técnico competente, uma quase unanimidade nacional, para "salvar" o caos do próprio caos mas, com a convicção de que não dará certo. Nada dando certo, crucifixa o técnico e, com ele, todos os cidadãos apaixonados pelo esporte bretão, colocando-se aquela máxima conhecida: "queriam o homem. Vejam no que deu..." Após, apropriam-se da entidade com mais trinta anos de perdão. Nossa única possibilidade é dar certo. Luís Felipe dará certo!
     Para um dia termos democracia, precisamos aprender, hoje, o direito do voto; não seu dever. Aprender a votar; não vender o voto. Aprender e querer sem promessas. Sem vantagens pessoais. Para o próximo ano, candidatam-se os mesmos. Todos eles. Elegeremos os mesmos, para os mesmos cargos, com as mesmas bandeiras. Com os mesmos discursos e mudaremos, como sempre, não mudando nada. Um dia, talvez, volte a dedicar meu voto para alguém mas, com certeza, não será um mesmo velho político de tantas eleições, frustrações, aflições. É hora de mudar. Quem sabe um novo nome? Um não coringa, por favor! Já estou farto do presidencialismo, de sistema bi-cameral, de tantas CPIs e pizzas, de desencantos... Estou quase indo embora para a passargada; lá, sou amigo do rei...
julho,2001


Volta


O Melhor Futebol do Mundo,

e um chão cheio de estrelas.

     A quase unanimidade de Luís Felipe, esbarrou no drible, outrora brasileiro; no pênalti bem batido (saudades da paradinha do Pelé); no esquema tático de absoluta fidelidade no tempo integral da partida, de um Uruguay desfalcado, felizmente, que não se envergonha de retrancar, de trocar atacantes por zagueiros, porque o que mais importa, é o resultado.
     Em nosso chão, cheio de estrelas, milionárias estrelas distraídas, esquecidas da pátria, Mãe gentil, a pisar-nos como lástimas mal vividas, sem saberem que a ventura desta nossa vida, é lembrar do Arruda, do ACM e do Estevão.
     Mas que Ghana, que tragédia no domingão! A esperança de um povo é o apagão. No sul, já se duvida, em CPIs, da honestidade da cúpula do PT! Não posso crer! Jogou o Romário? O Rivaldo? E a zaga, em que jogo foi jogar? Sinuca? Bateram cabeças, como descrenças, maledicências, insuficiências... Mas dinheiro? Quem quer dinheiro? Eu quero moral! Quero jogo! Quero orgulho! Quero trabalho! Estes, falaram até em ética! Só se for nome de criança: Maria Ética!
     Só vejo a política com maus olhos. Até por não acreditar nas pessoas que fazem política. Raras exceções! Política, em todas as circunstâncias. Não haverá futebol sem administração. Você sabe, política é coringa. Especialista em coisa nenhuma. Para provar sua capacidade, encurrala aquele que já não rejeitou o cargo uma vez! Faz aceitar desta. Transfere a culpa ao povo que pediu tanto este técnico, que é unanimidade nacional. E, neste estado de coisas, repassem o fracasso de décadas, para o mais competente de todos. E, se não acontecer o milagre, pois milagres não acontecem, pelo menos onde deve existir competência, torna o competente dono do fracasso, e reeleja-se perpétuamente como um deus, proprietário do futebol. Faça um time de medíocres, recoberto de ouro, e pague muito, muito mais do que se deve pagar para um jogador de futebol. Ele vale mais do que nós, operários. Ele é gênio, nós não somos. Ele tem contrato, nós, nem emprego.
     Havia algo maravilhoso em 58, em 62, em 70 e, até mesmo, ainda havia em alguns do tetra, um encantamento, um despreendimento, uma magia chamada futebol, em dose igual a da moral. Da vontade de vencer, de retribuir para um povo sofrido, a luz da vitória. Não, nem sempre vencemos. Já fomos vencidos, sem termos o orgulho abalado. Sem termos a esperança perdida. Assim, restará mais golpe, o fatal.
     Os atletas do Uruguay, a algum tempo atrás, jogaram sem remuneração, por compreenderem o estado do país, de seu povo, e da necessidade do futebol no coração dos patrícios. Como soldados, serviram ao sonho de um povo. Muitos outros povos, em suas seleções, já deram este exemplo de profissionalismo e nacionalismo...
julho,2001


Volta


Os Futuros Candidatos,

e os maravilhosos cargos eletivos.

     Fernando Collor para presidente, em 2002, foi o que mais vi, nesta semana. Em cartazes, na televisão, em entrevistas de festas ou em flashes da exma. ex-primeira dama, Rosane Collor.
     ACM para 2002, com gritos de "presidente do Brasil", já ouvi algumas vezes, na impune despedida do senado, e em sua honrosa chegada à Bahia, o Salvador, com Todos os Santos, ecoavam em côro.
     Lula presidente. O repetente verso petista, desacomoda mais preparados, como Mercadante, como Tarso Genro, ambos em permanente sacrifício de trabalho e desgastes não explicados, em detrimento de uma velha e cansada fórmula, três ou quatro vezes já fracassada. O poder desgasta. Ser situação, em pontos estratégicos, sempre é um legado não entendido, para quem sempre foi da cômoda cadeira da oposição.
     Ciro Gomes, presidente. Preparado em Harward, em Ministério, e em governos nordestinos, aguarda o momento da "partida" das eleições. À seu favor, uma linda primeira dama, de atitude global, do tipo "namorada do brasil", que puxará votos, sem dúvida alguma. Belos votos.
     Seu nome é Enéas, terceiro colocado nas últimas eleições. Se eleito, reformaria o brasil em trinta segundos. Danificaria a América Latina no minuto seguinte. Explodiria os índices Nasdaq, antes de cinco minutos, mas, quem pode afirmar que seria golpeado antes da primeira semana? Inegável que possui idéias científicas, mas, governaria com quem? Só Collor durou muito, não tendo partido e brigado com o Congresso.
     Brizola, finalmente, parou. Esqueceu até, de que no país, existia senado, ao qual teria tido uma eleição digna, arrastando consigo muitas cadeiras do estado e federal. Ninguém avisou. Mais uma promessa desfeita para este país que, um dia, já teve esperanças de futuro.
     Quem, para presidente do Brasil? Itamar? Barbalho? Zé Ramalho? Quem sabe Chico e Caetano? Teríamos, pelo menos, música e poesias da melhor qualidade, honestamente. Quem é o administrador que o país precisa? Quem não é "coringa" político e, além disto, competente, para administrar este continente? Procura-se um candidato: O cargo é muito bom. Paga bem, e apresenta rara influência. Por favor, ajude. Mande e-mail se souber de alguém!
junho,2001


Volta


O Campeão dos Campeões,

e a política dos ladrões.

     A esta altura do jogo, o Grêmio, de Porto Algre, já deve ser campeão. Outra vez! É imbatível, neste tipo de torneio. Já estará na Libertadores. Outro torneio feito para o perfil gaúcho. Os gaúchos, com três equipes campeãs nacionais - Internacional, Grêmio e Juventude - ensinam como superar as adversidades: garra e honestidade. Há atletas do centro do país que jogam no sul. Poucos se adaptam. Mas, os atletas gaúchos, tem fácil adaptação em outros gramados. Os técnicos também. A esperança de Felipão Scolari, na seleção, ou o que outrora foi uma seleção, prenuncia uma equipe aguerrida, calcada na honestidade. A seleção jovem Uruguaia, nosso compromisso dia primeiro, foi formada sem salários e sem prêmios. Gostaria de ver uma seleção brasileira sem os nababescos ganhos. Gostaria de não mais ver um futebol nenhum, cheio de dólares. Cheia de astros, sem luz própria.
     O novo técnico da seleção, Luís Felipe, é o desejo de colorados, gremistas, e de seu clube de origem, o juventude de Caxias do Sul. É desejo de palmeirenses, cruzeirenses, japoneses e sauditas. É o desejo dos brasileiros, pois, o que queremos, antes das vitórias, é o direito de torcer para que dê certo. É o direito de chorar com orgulho, por termos tentado. De termos lutado por amor à pátria. De sentirmos que aquele que nos representa no gramado, serve, por amor a esta pátria, maltratada e gentil, que se tornou madrasta. Não por querer. Por culpa de seus "pares", adjetos esquerdos de poderes subvertidos, muitas vezes, a legar a impunidade aos ACMs, panos quentes nos Arrudas; lastimas, que já ouço por Estevão; esperanças, já escuto por Collors; suspiros, aos bois de piranhas dos PCs, e tantos, tantos outros.
     As barbáries que acusam Jader Barbalho, já seriam suficientes, para qualquer corte, o por a correr. Qualquer país com honra, já o teria afastado. Uma ética qualquer, mesmo do submundo, o colocaria em suspeição. Aqui, neste país sem seleção, sem vóz, cheio de amorais a governarem a bel prazer, o quarto mando, em cadeia de sucessão, lhe é resguardado com honras, como se a moral fosse uma caixa de tomates vencidos, nas feiras das moscas, de um subúrbio sem luz.
junho,2001


Volta


Congresso: A Vergonha Nacional.

O Brasil e seus vexames.

     Qual o sentido de um sistema bi-cameral? Que interesses resguardam? Nestes últimos momentos, Estevão foi cassado. ACM e Arruda protegidos, impunes. E o novo rei, Sr. Jader Barbalho, barbaridade, é regurgitado por vários meios, colocando-lhe sombras que deconfiávamos, negras, só aliviadas no escandalo do painél eletrônico.
     Senado e Câmara decidem o quê? Medidas provisórias? Conchavos contra a governabilidade de um país quase ingovernável? Decidem seus aumentos de benesses? Seus proventos? Indecidem-se contra os avanços. São, inegavelmente, contra qualquer possibilidade que não seja algo à seu próprio favor, a curto e médio prazo. Não haverá presidente com possibilidade de realizações, nem Garotinho, nem Ciro Gomes, muito menos Lula, ou algum outro aventureiro, que decida-se em favor do país. Nem Tarso Genro, nem as fantasias de Itamar, tampouco ACM, pois são, ou tornam-se em pouco tempo, geléia da mesma panela.
     O chamado "profissionalismo político", que nada mais é do que a instituição de coringas profissionais a exercerem cargos para os quais não foram talhados, já nos levou a falência. Somos, nada mais, do que massa falida! Imaginamos ser um país do futuro e, lhes digo, o futuro é este que vivemos. Não esperem mais, exceto apagões, depois, falta de água potável, depois, falta de dinheiro emprestado para comprarmos a comida, que este continente rico não produz. Pergunto: não produzimos mais cereais, por que razão? Nossa agricultura produz, limitadamente, arroz, trigo e outros gêneros como feijão, hortifrutigranjeiros, etc, por não termos a chamada "política" desta produtividade. Afirmo: o Brasil não necessida de política. Necessita de produtividade sem ela! Necessita meios diretos como um simples balcão comercial, geridos por profissionais do comércio e produção agrícola, que não tenham mandatos de quatro anos, que não tenham partidos, mas que sejam desta profissão por trinta anos e, depois, se aposentem. Pois um agricultor trabalha bem mais do que isto, e necessita parceiros que entendam sua linguagem, que não lhes dêem esmolas a título de "incentivos" e que não lhes cobrem juros absurdos, pois, desmanchada a "coisa pública", sem dúvidas, os juros decrescem...
     Creio que, na minha utopia, o país sofre de falta de nacionalismo crônico. Padece por excesso de donos políticos, outrora chamados de coronéis. Afoga-se nas migalhas contaminadas e, muito bem administradas de um FMI que, diga-se de passagem, não tem culpa direta. Se você for até uma financeira pedir emprestado, já sabe que vai pagar um absurdo de juros, o que torna o dinheiro cada vez mais caro. Não lhe parecerá caro, se você não tirar do bolso o que deve. Lhe parecerá barato, se quem pagar for um contribuinte e, se faltar dinheiro, aumente a contribuição dele. Guarde a sua comissão e seu salário, e prepare-se para a mídia, quando assumir, em poucos meses, um novo cargo de primeiro escalão. Faltou sempre nacionalismo e cultura, especialmente quando se vota. Quem sabe começamos a pensar em monarquia?
junho,2001


Volta


Toninho Também Renuncia.

Mas, quem foi a cassa?

     Respeitável público: o circo fraudado e eletrônico da política, daquele gigante adormecido, acaba de fazer, novamente, as mesmas vítimas... os bobos, outra vez, fomos nós. O teórico "bem para o Brasil", nada mais foi, do que novo engodo. Iriam punir uma cadeira do senado, ou duas, talvez. Mas, jamais foi verídico, o fato de punirem os autores dos delitos. Sai o político, fica o clonado filho. Diga-se de passagem, um ótimo administrador da rede de comunicações, como ele próprio afirma, mas, de política, nada entende.
     Invejável a posição paterna! Dia de trinta de maio iniciou campanha para os dois cargos pretendidos: o governo da Bahia e a cadeira do senado. É possível afirmar que já é vitorioso em ambas. Em uma única tacada, este dono do país, tornou-se oposição ao FHC, desfazendo-se da incômoda fama de apoiador do presidente. Em um único lance, terminou com a fama de éticos dos dois senadores daquela comissão, tornando difícil, até mesmo, a posição do duvidoso presidente da casa, cidadão Jader Barbalho que, processos à parte, levou à porta da rua o senador errado: Arruda dá azar.
     Não usem mais atrás da orelha. Não coloquem mais em vasos. Esqueçam a ferradura atrás da porta. O número treze só dá sorte ao Zagallo, trinta e sete vezes campeão. Mas, temos que engolir os apagões, ACM, titular e junior. Jader, FHC, o Leonel, que já estende a mão para o Toninho. Que malvadeza esta minha vontade de achar que o país tem solução com políticos.
     Senhoras e senhores: o circo apresenta, depois da cortina de fumaça, o único apagão do mundo fora das guerras. Aproveitem para ver, no segundo picadeiro, as guerras das aftosas, apresentando um grupo de vacas loucas. Aguardem que, inesperadamente pode surgir, uma nova CPI. E como última atração, tudo vai se renovar em nova eleição, com velhos políticos voltando ao cargo ou, profissionalmente, tentando pela terceira, quarta vez, mas sempre inovando seus velhos discursos, velhas promessas...
     Conheço um país geográficamente rico, com solo rico, subsolo fértil, praias paradisíacas, onde ainda existe mata, pantanal, amazônia. Terra de mulheres bonitas, que já foi o país do futebol, que já foi o país do futuro, que ainda é o país do carnaval, mas que de noite vai faltar luz, porque faz muito tempo que não chove!
junho,2001


Volta


Apagou a Luz de ACM.

Arruda renuncia: o Brasil ficou cassado.

     A renúncia pode ser um simples ato de covardia. Para o cidadão de primeira classe, Arruda, senador da republiqueta dos brasis, foi apenas mais um causuísmo. Mais uma jogada de coringa politico, de um malfeitor que, assim, se perpetua impune, arrastando sua corja efusiva para as próximas eleições, onde não faltará partido a estender-lhe a mão, pois, mídia gratuita como a que acaba de ganhar, é uma loteria bem gorda. Conta-se com a falta de memória dos candangos brasilienses, que, como de resto todo o imemoriado brasil, lembrará das "injustiças" praticadas contra este senador da república, e o elegerão, entre lágrimas e "vivas", já nas próximas eleições...
     Quarta feira, dia trinta de maio, à tarde, o coronel Antoninho entrará de férias, até as próximas eleições. Merecidas, diga-se de passagem. Ser um dos poucos donos do país, cansa. O senhor suplente, substituto e filho, entende de administrar, e bem, a rede de comunicações da família, retransmissora da Globo, em vários canais bahianos, devendo tornar-se apenas, o porta voz do pai. Nada mais justo. Creio que o carlista chefe já havia imaginado esta possibilidade, a de ser impedido, de alguma forma, de exercer diretamente o mandato.
     Comentar sobre ética ou moral, é perder tempo. Ambas inexistem na chamada política brasileira. Resta ao cacique escolher: retorna ao mandato de senador, nas próximas eleições, ou retorna ao cargo de governador de sua república particular, a Bahia de todos os Santos. O Sr. ACM dá-se ao luxo de escolher um, ou os dois, mandatos simultâneos, bastando para isto, manter o filho suplente, no senado.
     Não, não faltou luz ao Sr. Antoninho. Ele está bem, obrigado. Talvez falte oxigênio para muitos, nesta próxima quarta feira, à tarde, quando o Sr. senador jogar no ventilador, as dores cheirosas para alguns coringas de plantão.
     Falta, novamente, uma lei que se aplique aos crimes cometidos que, procuro entender, como não se pune as falcatruas de um cidadão, punindo-se ao mandato, como se este, respirasse moral. Pune-se uma cadeira vazia de ética, despida por algumas horas da lama, premiada, logo a seguir, com a suplência da mesma lama...
     Nas próximas eleições, caros eleitores, escolham bem. Entre tantas pessoas distintas, teremos notáveis cidadãos: Fernando Collor de Mello, Antonio Carlos Magalhães (possivelmente o número um e o número dois), o chorão das mentiras, Sr. Arruda, e alguns outros célebres brasileiros. Enquanto aguardamos as próximas eleições, sugiro: divirtam-se com os apagões.
maio,2001


Volta


Energia: Administração do Caos

e a escassa água do planeta.

     O Brasil mostra ao mundo seu despreparo administrativo, calcado em política e políticos, que são, nada mais que coringas, num baralho viciado de causuísmos e safadezas. A falta de administração é sentida por um povo pobre, sem direito a um dinheiro mínimo, com comida mínima, saúde precária, desempregos crescentes, diminuição de indústrias, comércios paralelos, serviços informais, onde o empresário é tratado punitivamente, logrando-lhe impostos aviltantes, taxas descabidas, sombreando-lhe um possível fantasma de enriquecimento ilícito.
     Como o pano começa a cair, e apenas começa, com tropas de choques políticas correndo, em desabaladas correrias, para conter a verdade hemorrágica, percebe-se que os avisos de empresários se confirmam. As notificações de cientistas e administradores (profissionais de carreira) fazem sentido. Percebe-se que é impossível construir andares sem alicerces!
     O Brasil está sem energia! Não há produção sem ela. Não há conforto. Nossos eletrodomésticos são elétricos. Os motores industriais, em sua maioria, também o são. Há vinte anos participei deste debate onde, afirmava-se, que no ano dois mil não teríamos energia suficiente para gerar o país. Mais: que em cinquenta anos o planeta não terá água potável! Faltam menos de trinta anos...
     Do governo militar, de tristes lembranças, passamos para um governo político, de conchavos, de desvios, CPIs, cassações, escândalos... Passamos para facções de ultra direita, de centrões, de esquerdas moderadas, esquerdas radicais, Movimentos Sem Terras, Sem Camisas, Centrais Sindicais, Partidos Domesticados, Partidos Sem Domésticas, Partidos Que Partem, que alugam, que vendem, mas não surgiu um Movimento dos Sem Paciência, para gritar aos senadores, aos juízes, aos promotores, aos governadores, aos deputados, aos vereadores, aos prefeitos e seus defeitos, um basta!
     Eu quero a luz que já me falta! Eu quero a água de beber, que vai faltar, por absoluta incompetência dos governantes. Por roubos, calúnias, desvios. Por lobbies, por hobbys, por drogas. Soltem o ladrão de galinhas, pois, nos presídios, faltará lugar para os ladrões de votos. Fechem as casas inoperantes de ética e honestidade. Preguem suas portas. Inscrevam em suas fachadas: "Aqui jaz, um povo!" Agora começo a compreender o que a história conta sobre o final das civilizações prósperas... Era assim que falava Zaratustra?
maio,2001


Volta


O Futuro é o que Vivemos.

Tudo será como antes.

     Restará pedra sobre pedra, no futuro do presente, deste gigante permanente e adormecido. Se o caso honroso for renúncia, para o senador ACM, renunciará o primeiro, e renunciará o segundo de seus suplentes, provocando eleições extras da cadeira vaga que, por ser politicamente elegível, a Bahia reconduzirá ao cargo, o novo senador ACM. Entenda: o cargo cometeu a falha, não a pessoa...
     O painél da Câmara pode ter sofrido, igualmente, uma "programação" paralela, donde poderemos, sem grandes temores, questionar: as máquinas, tão simples e reprogramáveis, chamadas "urnas eleitorais eletrônicas", podem sofrer qualquer tipo de programação. Poderemos supor, por esta lógica, que alguns de nossos governantes teriam sido programados?
     Para todo e qualquer comerciante, nenhum negócio é satisfatório se tiver adversidade no câmbio. Projeta-se daí a possibilidade nítida de prejuízo, bem antes de arremessar-se à conclusão do contrato. Não há necessidade alguma de cursos em Harvard. É necessário apenas bom senso, além de algum "tino" para negócios. Não seria melhor colocarmos negociantes para estabelecer o chamado Mercosul e, mais preocupante ainda, no mercado Alca? O político é um coringa. Sua especialidade inexiste. Ele não está na ponta da produção, não fará parte dos meios manufatureiros, não dedica-se à indústria, tampouco administra papéis. Não situa-se no berço da finança. Não caracteriza-se pelo meio do transporte e, igualmente, não trabalhará em nenhuma frente que propicie impostos, mas, acreditem, o mais sério de todos estes elos é o provocativo de oferta e procura. A batuta do comércio. Há quem poderia interessar vender gato por lebre?
     Há um estranho cinturão que envolve o planeta terra. Os férteis países dos trópicos, e suas proximidades, vivem instáveis. Épocas de ditadura. Épocas de recessão. Épocas de liberdade. Um lindo povo indolente, em sua maioria risonho e musical, que prefere praia e água de côco. Um povo que pouco ganha, mas se diverte com pouco. Exceto seus governantes. Estes se divertem muito!
A mulher, em seu estado mais lindo, é mãe.
A cada uma delas, nossa profunda admiração e agradecimento.
maio,2001


Volta

Especial:
ACM, Arruda e a outra.

Está dando pizza.

     Será o início do fim do todo poderoso ACM? Estaremos acompanhando a acareação mais esperada da história do Congresso: promessas, juramentos, mentiras, subôrnos... o Senado é palco de muitos protagonistas. Por rasgo de honestidade e coragem, o senador Jader Barbalho abriu mão da imunidade parlamentar caso alguém queira abrir um processo contra ele na Procuradoria Geral da República. O senador Antonio Carlos Magalhães negou ter proposto um acordo com Jader para abafar a crise do painel e o escândalo da Sudam. O senador Ramez Tebet, presidente do Conselho de Ética, desmentiu que esteja patrocinando a "operação abafa", e criticou o colega Romeu Tuma, que queria psicólogos na acareação entre os senadores Antonio Carlos Magalhães, José Roberto Arruda e a ex-diretora do Prodasen, Regina Borges.
     O Ministério Público do Pará vai reabrir o caso do Banpará, em que Jader Barbalho é acusado de roubar 10 milhões de reais em 1984.
maio,2001


Volta

Arruda: O Azar de ACM.

A hora do chinelo velho...

     Dizem que arruda dá sorte! Em se tratando de Brasil, a sorte tem tardado. A sorte tem sido madrasta, mas, não há mal que sempre dure. Ví, há alguns anos, um programa especial da BBC de Londres, intitulado: "O oculto cidadão Kane". Na abertura, Chico Burque de Holanda falava da opressão de depois da ditadura. Leonel Brizola mencionava os "donos do País" e citava Roberto Marinho e Antônio Carlos Magalhães. O repórter inglês, entrevistando ACM, perguntou quantas emissoras o ex-ministro tinha como propriedade e, este, convicto, respondeu: "uma". Havia um corte na entrevista e mostrava-se os "plin-plins" das TVs de ACM, em sequência (canal 4, canal 7, etc) e, novamente a pergunta do repórter: "quantas emissoras de televisão o Sr. tem em propriedade? E a resposta era a mesma, embora fossem apresentadas seis ou sete emissoras, com localização em cidades, formando uma rede regional na Bahia, e ACM, ex-ministro e beneficiário da Rede Globo, afirmava: "uma", acrescentando: "que culpa tenho se o Sr. Marinho, amigo há mais de trinta anos, me concedeu a retransmissão da Globo? Porque ele daria para um estranho?"
     O ex-Ministro das Comunicações, igualmente, não entendeu a referência do repórter, sobre a aquisição de uma indústria de grandes transformadores, à qual o governo devia fábulas e, por uma legítima "sinuca" financeira, teria sido arrematada pela Fundação Marinho. A BBC apresentou todos os créditos de referência, nomes, valores, a empresa interessada que não logrou a compra e os créditos à Fundação que, por legislação, não poderia ter comprado, ligando o ministério de ACM à Fundação de seu amigo, de mais de trinta anos, à época. Embora o fato fosse bem recente, o todo poderoso afirmou "desconhecer o fato". O documentário da BBC não foi veiculado no Brasil, mas circulou nas principais redações do país, onde tive acesso como convidado. Os programas de rádio, com o mesmo teor e muito mais matérias, foram veículados em várias emissoras de grande porte, com independência editorial...
     O tempo deve ser amigo da mentira. Conta-se, em provérbio, que é remédio para todos os males... Um amargo remédio, não? Pensa-se, hoje, na honra de um homem que representa milhões de brasileiros. Pensa-se na ética. No congresso, este desmoralizado quinhão de oiro, que já foi poder e desmorona, por drogas, trapaças, cassações, conchavos, ilegalidades, mentiras e tapes apagados, votações eletrônicas pré-concebidas... Quanto a ética, esta lembra-me a virgindade de moçoilas: perde apenas uma vez, quem a tem.
     A superstição diz que um galho de arruda na orelha, um trevo de quatro folhas num livro, uma ferradura ao alto de uma porta, podem proteger o aflito, o caipora. Quando a diretora resolveu falar com desculpas sobre o seu crime, provou que tinha sinceridade e gostaria de resgatar a honestidade. O Arruda quebrou, mas, o coronel Antoninho, dono de gado e gente, ainda não percebeu que a saída, à francesa, é calçar um par de chinelos velhos... Mas isto, só é capaz de fazer, aquele que tem honra, respeito, dignidade, mas, estes, estão normalmente, na classe trabalhadora de um país com amnésia.
abril,2001


Volta

Ode ao Cavallo Argentino:

O Brasil tem mais um chefe.

     Não bastasse a fragilidade de um senado, de uma câmara, enfim, dos poderes, o país rende-se ao mando do ministro argentino que, por falta de limites dos fracos detentores do poder brasileiro, invade, determina normas, critica, impõe vontades, escolhendo o gigante adormecido como verdadeiro saco de pancadas, conquistando de imediato o nosso empresário, pois acena com um fisco convidativo, em plano de médio prazo, além de incentivos, que certamente serão cortados após a instalação das empresas em território vizinho mas, ao que parece, a instabilidade de lá, não está acéfala, o que, por sí, já é mais do que detemos aqui.
     Por aqui, além de CPIs e barbáries imorais que vazam por todos os cantos, restam-nos um país com invasões programadas de todos os gêneros. Das terras, aos presídios. Por aqui, rota e produção de drogas de todos os tipos, na mais alta escala, resta definir o que é moral, ou a nova moral. Ainda nos devem uma nova definição de ética. Não conseguimos definir coisas simples como roubo, ou apropriação indébita. Não sabemos exatamente o que deve ser adulteração de votação eletrônica. Não temos conciência do que talvez seja um juíz "desviador" de verbas públicas. Não lembramos mais do que pode ter causado a cassação do ex-senador Estevão, mas já ouvimos sua indignação com o teclado viciado do senado. Talvez estejamos prester a presenciar uma "descassação" política!
     Caros Amigos,gostaria de estar longe. Gostaria de não perceber, que menos de um porcento da população detém o capital e o poder. E são apenas alguns poucos que sabem exercê-lo. Já não sei quais são. Sei que o nacionalismo do ministro argentino é latente. Sei que as dificuldades de lá são semelhantes às nossas, mas, não há "Sem Terras". Há, sem dúvidas, os "Sem Empregos". Lá, para qualquer atitude intempestiva do governo, há manisfestação imediata de uma população que de nada se parece com eunucos. Aqui, espera-se que o futebol lave a alma. Que o time mostre o melhor futebol do mundo, o qual vem "escondendo" a muitos anos, embora cobre fábulas de ouro, para escondê-lo. Aqui, falta-nos a vóz que comande a carroça. Que diga que caminho deve seguir o cavalo, por pior que seja a estrada, mas seguir a nossa estrada, e entender que pobreza não é pecado, se for material. A pobreza só é miséria, se for moral. Falta-nos uma estrela guia!
abril,2001


Volta

Sensibilidade: a lacuna do feminismo.

As mulheres masculistas.

     Não fosse a falta de sensibilidade, as mulheres teriam conseguido erguer-se à perfeição, em termos humanos. Estão, algumas, bem próximo. Parece-me apenas, que seguiram o exemplo errado. Procuraram na forte imagem masculina o estereótipo, sem perceberem que o homem é a mais fraca das imagens, a mais distorcida, advinda do varão da espécime, com a obrigação de defender as fêmeas e as ninhadas. Nada além disto! O tempo se encarregou de colocar valores, chamados sociais, dinheiros, ternos, postura, estatus, automóvel e, com estas, as denominadas responsabilidades. Colocou o padrão de "vencer no sôco", diminuiu para o "vencer no grito", reduziu mais para um "levar vantagem em tudo" e, neste momento, cede espaço para o ser mais forte, com algumas resistências, é verdade. Mas, é preciso entregar o mando ao ser mais forte. Entrega-se tarde. Muito tarde!
     O verdadeiro ser mais forte, trouxe e ensinou para alguns homens, a sensibilidade materna, tornando alguns da espécie, sensíveis para dividir o cuidado com os filhos. Passou a cuidar do esconderijo. Cedeu aos rugidos da fêmea e divide o cuidar da morada. Alguns, apenas! Outros, continuam rugindo. Talvez morram antes de aprender a dividir. E, me parece, aí, o grande segredo: aprender a dividir e fazer isto com sensibilidade, até porque não existe um ser melhor que o outro. O que sempre existiu, além do machismo exagerado e doentiu, foi a insensibilidade masculina a perceber-se como um animal que ama. Conceitos religiosos forçarem a tais costumes. Conceitos sociais, a admitirem mais vantagens neste procedimento. Conceitos políticos, como sempre, a manipularem ao exagêro, estas vantagens. O início do chamado marketing da era moderna, não coicidiu, simplesmente, com os inícios dos movimentos feministas. O marketing se enrrustiu ao movimento, procurando maiores e melhores situações, puxando as perninhas das marionetes, repetindo frases prontas e agressivas, e é precisamente aí, que se percebe a maior falta: não surgiu o novo ser mulher. Masculinizou-se!
     A mulher perdeu a mais fantástica das virtudes: sensibilidade. É certo que existem algumas raras exceções que mantém beleza, inteligência superior, capacidade de discernimento, maternidade, sensualidade (algumas deixaram o modelo masculista betty friedmann). Nem todas gritam os jargões, ditos feministas, como os fanáticos ativistas de partido político. O único ser que pode dominar o mundo, perde o cajado mágico de domínio, e nos deixa, como legado, o início do fim da raça humana. Para nossa felicidade, ainda existem mulheres lindas, inteligentes e sensíveis, a encantar e governar o mundo particular de alguns felizardos.
abril,2001


Volta

Um Coice de Cavalo,

Uma Galopada de Bush.

     Não chegam os desatinos da falta de administração brasileira, legado a amadores nesta área - os chamados políticos - que, de administração entendem tanto quanto padre de casamento, o mocinho americano, Sr. Bush, todo poderoso do mundo, preciona o presidente FHC para a Alca. Triste, e não precisa ser gênio para entender, que a Alca, assim como o Mercosul, é prejudicial ao Brasil. Mas, como o Governo Geral da Terra decidiu, através do "admirável" agressor, do também "respeitável" Sr. Hussein, está decidido!
     A cortina de fumaça é perfeita para encobrir os descalabros do senado e câmara e, ainda, auxilia nos disfarces para o hermano Cavalo impor à nosso país, sabe-se lá porque, algumas das mais fantásticas situações sofridas e nós, administrados por políticos, aceitamos!
     Se o país fosse administrado por empresários, melhor, administradores da iniciativa privada, pouquíssimos dos atuais políticos, metidos a administradores, ficariam nos seus empregos. Alguns, não poucos, seriam presos. Sei que alguns são cidadãos de primeira classe e, mesmo cometendo crimes hediondos, recebem cela especial e benesses do gênero, noutra agressão grosseira à Constituição que, diga-se de passagem, incompleta, criada por alguns abnegados, é verdade, por alguns analfabetos, também é verdade, mas, por todos os políticos. O jurista Afonso Arinos e um grupo de notáveis, chegaram a ser contatados para a realização da Carta Magna mas, o corajoso e comprometido presidente Sarnei, à época, numa de suas atidutes de "coragem", voltou atrás, para satisfazer aos pares, aos ímpares, e aos donos de gado e gente.

março,2001


Volta

A Mir cai, Nasdaq cai e minha esperança...

Humanos com cérebro de ratos?

     No dia mundial da água, 22 de março, desfilam à nossos olhos as inevitáveis perdas, naturais da vida: não sabe-se por quanto tempo comemoraremos o dia da água, com água. É provável que em 25 anos, no máximo em 40 anos, nosso planeta sofra a agonia por falta de humanidade, por conta do desperdício, pagando-se o preço de nosso desprezo e falta de previsão: nossa água potável está terminando. Nossos administradores sequer debatem o assunto. Na Antártica, nossa maior reserva de água doce, uma grande rachadura prenuncia a formação de um gigantesco iceberg que, no máximo em 18 meses, estará a deriva, afundando a sí, e caçando Titanics desavisados, ou propensos a sentirem-se maior que seus criadores.
     O último elo Russo de conquistas - a Estação Espacial Mir - dá adeus, no Pacífico, entre a encantada Ilha da Páscoa e o arquipélago Japonês, espalhando 20 toneladas em mais de 1,5 mil pedaços, fazendo afundar o orgulho de ter sido um símbolo, uma potência, um marco humano em todos os tempos desta civilização, pagando o preço da falta de previsão dos desgovernos, dos preços políticos, que resultam de uma desunião soviética, o que faz pensar nos restos de um sistema pouco humano, de unilateralidade socialista.
     A outra lateral do mundo, de compreensão democrática plena, faz os pesados rolos de papéis do capital, esmagarem os terceiros mundistas, vivendo os artifícios das bolsas, um faz-de-contas arrasador, sem significado humano, mas evidencia um enguiço e, volta e meia, dirige-se na contra mão, contra sí próprio, atropelando criaturas e criador, pondo em dúvidas até seus índices, suas potências Nasdaq e outras, galopadas por um displicente, da maior potência terráquea, eleito por apurações duvidosas, que deveria estar nos estúdios do bang-bang espacial, onde suas investidas impensadas já seriam perigosas.
     Minhas esperanças, apesar dos prenúncios, existem. Não estão de um lado socialista, ou de um lado capitalista. Não estão no meio dos dinheiros, e como não restam estações no espaço, e, bem menos, habitações num iceberg, reduzo-me ao bom senso. Habito na esperança, pois a união de conhecimentos, a confissão de sentimentos, pode nos endereçar à conciência de habitarmos o planeta Terra, sem fanatismos políticos, religiosos, financeiros e outros, mas com a utopia do dever à qualidade de vida, com a paixão de amar os meus muito próximos, os meus próximos, alguns amigos distantes, alguns distantes desconhecidos, e bilhões de bípedes pensantes como eu, que nunca saberei de suas existências, mas que suas respirações serão indispensáveis para que eu respire também.

março,2001


Volta

Moral de Cuecas;

ídolos irresponsáveis!

     Enquanto a cantora Simoní, abdica da vida de estrelato, para dormir no presídio, junto à sua paixão, o que é de pleno despreendimento, escorrega na afirmativa, desejando que o futuro filho, tenha o caráter do pai. Sendo a condenação deste, um fato comprovado, pergunto: houve um êrro de expressão da cantora? Por que o auditório aplaudiu tanto? O caráter de um criminoso não é exemplo, pois, cumprir uma pena, não o inocenta dos crimes! Seria este o melhor teor dos programas de televisão, com auditório, com milhares de crianças assistindo? Não creio que os dramas deste nível devam ser levados à público. Já ouví pessoas "aliviadas", com a liberdade do casal assassino da artista da Globo, Daniela Peres... Gente, são assasinos cruéis que, em outro país, teriam a pena de morte. Cumpriram seis, oito anos. A vítima, foi traída pela amizade, por colega de profissão, e deve ter enfrentado os maiores requintes de tortura. Creio que, em breve, deverão voltar à profissão, deverão fazer drama sobre o martírio vivido e... serão aplaudidos!
     O Juiz Lalau, o ex-senador Estevão, a turma do ex-presidente Collor, alguns poucos deputados cassados, e elementos de outras gangues, farão o mesmo. Semearão a "coragem" por terem se resignado na "injustiça", na "traição", e jurarão inocência e, o que é pior, a platéia vai aplaudir. Chorar, até. E vai votar nos "pobres" inocentes, na primeira oportunidade.
     Esta é a forma que vejo um povo inocente, que deseja justiça, mas tem o coração singelo de gente do interior. Tudo comove. A tudo perdôa. Esquece tudo no próximo comercial. Mesmo que lhe roubem o pão. Mesmo que a covardia de um ladrão lhe surpreenda, e lhe levem os bens. Mesmo que lhe matem os amores. Perdôa até senadores prepotentes, coronéis de bahia e afagos traidores. Mas, encanta-se com a mentira contada nas novelas, um faz de conta ludibriante, que o faz exercitar sua raiva, sua indignação com o mundo, e o herói destemido, diz todas as verdades aos governates, e lava-lhe a alma, e só não o chama de eunuco, porque neste mesmo capítulo, em uma poesia barata, que também lhe encanta, até por não lhe fazerem acesso de literatura plena, pois dizem, não dá audiência, o personagem viril (quase igual a ele), despeja um sexo, às vezes bizarro, na sarada "mocinha" e o fomenta a libido.
     Perdão "seu" Camões, "seu" Fernando Pessoa. A bênção Vinícius de Morais... Diria o Grande Arquiteto: "Perdôe. Eles não sabem o que fazem". Será? Nem os donos de televisão. Os produtores, diretores? Os estudados e louváveis senhores donos da mídia? Ludibriar e iludir pessoas. Ensinar-lhes a "coragem" de um ladrão. Esvaziar a capacidade de sonhos próprios, de cada habitante, e induzí-los à sonhos prontos, nas novelas de todos os horários, inverter a moralidade, será isto uma nova façanha de caráter? Isto lembra-me, o condicionamento de Pavlov. Toque a campainha cada vez que levar comida ao cão. Em pouco tempo, ele estará salivando cada vez que ouvir a campainha. Dê circo ao povo. Dê todas as banalidade e restos, ao povo. Ele não será um incômodo a reclamar as verdades. Estará suficientemente distraído, dentro de casa, a ver seu mocinho, que é muito parecido com ele, em sexo explícito, com aquela gata fantástica, que ele nunca vai ter...
Volta



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