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Felicidade
A felicidade é uma linha que nos circunda
Que às vezes solta o nó e afrouxa
Que às vezes o pranto molha o nó e estica
Que às vezes dezenosa.
A felicidade é uma linha à toa.
E nos circunda
E nos amarra, aperta, enforca
A felicidade é uma velha surda, muda, cega e amiga
Mas quando chega , me faz sorrir como menino.
A felicidade é uma linha velha
Com a qual costuro os poídos da minha vida.
Nota do Editor
O nó(s) de Eu, o palhaço de mim mesmo
Administrar a vida com a preocupação de que não a sinta
longa, e lembrar, de quando em vez, de rir disto tudo,
começando por rir de mim mesmo.
Instigante, essa é a palavra que melhor define esse livro de P.A.B.J., da capa à contra-capa ("úteis", como o autor propõe).
A provocação inicia na própria estrutura do texto. Uma sucessão de crônicas - intimistas, com uma percepção de vida muito pessoal, que busca dividir com o leitor - interceptadas por poesias. Uma espécie de texto móbile em que cada parte é em si totalidade sem deixar de ser parte do todo, e cuja unidade é garantida por um eu, narrador e sujeito poético, e... as suas montanhas.
Já de início esse eu estabelece uma parceria vital com o leitor, e vital porque reconhece aí a possibilidade única de vida do texto que se cria no ato da leitura. Somos quase iguais, por momentos, afirma. Nossa única diferença é que eu escrevo e tu lês. Firmada, pois, a parceria - e não se entenda por isso uma parceria tranqüila, porque ler Eu, palhaço de mim mesmo constitui desafio e provocação a cada página - , quando o leitor é transformado em elemento da construção literária, firma-se também o espaço de atuação do eu, narrador e sujeito poético, que se propõe à revelação honesta, íntima e transparente de uma percepção de vida. E, aí, por ventura, a grande força do livro.
Numa linguagem simples e confessional, PABJ faz desfilar diante dos olhos do leitor as memórias da infância; a crônica familiar; a revisitação crítica à ditadura militar; o peso mítico daquele 68, daquele maio, daquele verão, daquelas músicas e da palavra mágica: contestar. Contestar governos principalmente, mas (parodiando Guevara) sem perder a ternura; os sonhos; as crenças; as suas próprias teorias acerca da democracia, ainda que utópica; e, sobretudo, do amor em seu sentido mais amplo.
Somos o centro de nosso próprio mundo quando estamos em nosso interior ... Essa a afirmativa que norteia Eu, palhaço de mim mesmo, não como um ser que se descobre, mas um ser que se revela porque, aqui, revelar-se é também uma forma de auto-conhecimento e, no contexto, não é gratuita a referência ao Barão de Itararé: o que se leva desta vida, é a vida que se leva... e nesse jogo de dar-se a descobrir, há textos de puro lirismo, como "Amarras ao vento", para uma fórmula que busca desvendar o homem em sua humanidade: a de viver no ritmo da paixão.
Assim, ao leitor mais avisado, um alerta: cuidado!
Teu olhar é livre?
Já foste até a felicidade?
Ao leitor menos avisado, uma lembrança: Viver é fácil. Basta chorar um pouco no nascimento e manter a respiração de forma ininterrupta até puxarem nosso tapete. Aprender a viver é um pouco mais difícil. Mas sem sobressaltos, porque ao eu, narrador, esse mesmo que provoca, sacode, brinca, ironiza, caberá a confidência maior: Jamais saberei as respostas das perguntas que te fiz.
E, apesar de tudo, sempre haverá o vento...
Informação de livrarias com disponibilidade do livro:
em São Paulo:
Lipbooks-R. Arnaldo Alvernaz Nunes, 20/22-Pirituba-tel: 11.39916168
em Porto Alegre:
Livraria Sulina- Shopping João Pessoa, loja 218- tel: 51.2239222
Livraria Sulina- Shopping Iguatemi, lj.108- tel: 51.3340000
Livraria Sulina- Shopping Praia de Belas, lj. 4445- tel: 51.2316002
Livraria Sulina- Rua dos Andradas (Rua da Praia), 1415- Centro - tel: 51. 2264988
Livraria Ventura- Rua dos Andradas, 1332 - lj D
tel.:51. 2267075
Livraria Conceitual- Rua dos Andradas (Rua da Praia),1644- Centro - tel:51.2265733
Café com Arte/Panos e Sonhos-R. Cabral,143-Bom Fim- tel: 51.3302549
em Novo Hamburgo
Livraria Sulina -Novo Shopping - Centro
em Pelotas:
Livraria Mundial - Calçadão: Rua XV de Novembro - Centro
"Eu, o palhaço de mim mesmo."
de Pedro A.B. Jacques -Editora AGE-71 p.- 14x21 cm.
"Só há uma coisa certa na vida..."
do mesmo autor-2a. edição-esgotada.
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