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     Navegar é preciso, viver não é preciso! Os versos de Fernando Pessoa, o maior poeta da língua portuguesa, deste século, entoam as dimensões de Lisboa, grande, por formação histórica, com traços marcantes de progresso, deste final de século, denunciando o moderno cosmopolita já existentes, abençoados pela cultura secular européia.

     É no Bairro Alto, na rua Garrett, que encontramos o poeta, sentado à mesa, em estátua, frente ao Café A Brasileira, notável por seu interior de espelhos, retratando os anos 20, sentindo a presença dos intelectuais da época, sendo permitindo sentar ao lado do poeta para uma foto e, quem sabe, ouvir um sussurro a recitar: "Basta a quem basta, o que lhe basta..."
Uma vez no café, não dispense o sabor de uma "Pirâmide" de chocolate que, sorvida com um café forte, escontra um sabor de férias, uma paz concebida pela compreensão de termos origem, e a sensação de que teremos destino, compreendendo que o poeta cantava a preocupação de seu tempo, difíceis tempos, como são os nossos tempos, como sempre foram os tempos, e compreendia que viajar é uma missão de nosso íntimo, uma necessidade da alma.

     O Rei Afonso Henriques, em 1147, retomou dos Mouros o Castelo de São Jorge, dando início a formação da cidade, que todos os lisboetas, como são chamados, reverenciam. Junto aos muros deste castelo, formaram-se estreitas ruelas, formando o bairro de Alfama. Por tradição do comércio, as mulheres vendem peixes na Rua de São Pedro, de manhã.

     Os transportes da cidade são muito bons. Tanto os ônibus urbanos, que trafegam em velocidade alta, característica dos motoristas alfacinhas, como também são cognominados os lisboetas, mantendo um dirigir agressivo do qual muito se orgulham, um traço da paciência mínima do povo da capital. Os metrôs, que traçam a cidade em várias direções, tem suas linhas identificadas por cores de suas linhas. Bem sinalizados, com uma programação visual de identificação objetiva, auxiliam a locomoção dos turistas.

     De metrô, vá até a Expo 98. Conheça o Museu Interativo, também o Oceanário. Assista ao maior poeta da lingua portuguesa de todos os tempos, Luiz Vaz de Camões, autor do épico "Os Lusíadas" e dos mais finos sonêtos de nosso vernáculo, em "Camões em Outra Dimensão", um sofisticado sistema computadorizado, com projeções, propondo até mesmo o diálogo. Note-se que há um cuidado no sistema administrativo cultural turístico de Portugal, que é admirável: os tickets de ingresso são semelhantes em desing em todos os centros culturais. Os cinemas, assim como nos teatros e shows, os ingressos podem ser adquiridos via internet e, a grande comodidade e organização, está em reserva dos assentos numerados, evitando correrias, atropelos, filas.

     Para curtir um Fado, existem muitos lugares típicos, entretanto, no Teatro Politeama, é possível assistir uma verdadeira ode à maior cantora de todos os tempos, Amália, portuguesa, de infância pobre e vida tumultuada, que verdadeiramente personificou este estilo de música, semdo a grande musa do gênero. O show, com palco móvel e vários efeitos especiais, num tratamento que lembra os grandes shows da Broadway, apresentam igualmente detalhes de produção turística, como por exemplo, um gerador de caractéres informando as principais situação do show, em inglês, permitindo ao turista compreender a situação encaminhada naquele momento. O ingresso custa $ 5.000 escudos, o que corresponde a R$ 50,00 aproximadamente.

     São os elétricos, entretanto, que colocam o charme a serviço do elo do tempo, unindo a cidade de um passado secular imperial, ao tempo do novo milênio. Tomando o elétrico na Praça do Comércio, pode-se ir ao Mosteiro dos Jerónimos, um monumento à riqueza do Rei Manoel I, em 1501, a época dos descobrimentos, que para ostentar e concluir a obra, os governos desviaram as verbas da denominada Capelas inacabadas - a Abadia Dominicana de Santa Maria da Vitória - outro passeio ótimo, na cidade vizinha de Batalha.

     No bairro da Baixa, há o Elevador de Santa Justa, que foi contruído por um aprendiz de Alexandre Gustave Eiffel. É feito de ferro, uma obra neogótica, e vale dizer que lá em cima tem um café, onde podemos ter uma vista muito bonita da cidade, mas, cuidado, os preços são bem salgados.

     A Rua do Ouro localiza-se também no Bairro da Baixa, como a Ria da Prata, coração financeiro da cidade, onde a informação tecnológica dos milhões de Euros, e trilhões de Escudos Portugueses, rendem-se à história de tradição de um povo que, de ouvirem o grande tráfego das carruagens e coches, ouviam, na verdade um som chiado, e o costume deu nome ao bairro.

     Como passeios gastronômicos, já que você está próximo, aproveite os Pastéis de Belém, famoso desde 1837, numa casa grande, com os tradicionais azuleijos, cheia de salões. Tenha paciência, pois o fluxo de pessoas é grande. Não coma apenas um. Saiba também, que o pastel português, é doce, lembra uma empada sem a parte de cima, e desmancha na boca. Peça dois de uma vez, pois o serviço é mais lento com tantas pessoas. O passeio todo inclui as Torres de Belém, trajeto feito à pé, que é interessante observar: dos pastéis de Belém até as Torres de Belém, ao contrário do se pensa, e que os portugueses nos passam de informação, não é muito próximo, portanto, prepare-se para comer outros pastéis na volta. Os pastéis são servidos com acompanhamento de canela e açúcar de confeiteiro.

     O Bacalhau do Fernando,ainda no bairro da Baixa, Rua do Bacalhoeiro, é repleto de detalhes, iniciando em sua vitrine de pescados, é ali que se escolhe o prato principal, apontando, da calçada, qual a iguaria que se pretende degustar. Repare que esta vitrine é um frigorífico, mantendo os "artigos em exposição" em sua temperatura ideal. O ambiente é um estímulo à degustação que, invariávelmente, será exagerada. Aproveite o local, após a refeição, para a digestão. A própria Rua do Bacalhoeiro permite uma boa caminhada, pois esta termina, não muito distante dali, no Rio Tejo, o que, por sí, vale a pena dar uma espiada, para visualizar sua importância histórica. Estarás, pelo mínimo, às margens da história... Também na rua do restaurante do Fernando tem mercadinhos, repletos de atrativos ao turista. Escolha um deles e compre garrafas de ginja, um lícor maravilhoso, de cereja, e sinta também, neste néctar, o sabor de portugal.
     A cidade de Lisboa, Portugal, é um passeio lindo, de tradições e de contrastes, que nos situa, em termos de formação, como um gosto pátrio na enorme Europa.



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