Mesa Redonda
 
Clonagem Humana: você Concorda?

O que mais você gostaria de saber, e sempre teve medo de perguntar?

     O Dr. Sérgio Costa, em brilhante entrevista, expõe o andamento das pesquisas sobre clones, após os resultados do Projeto Genoma.
     A entrevista, pode ser ampliada com suas perguntas, podendo ser acessada com link nesta página.
     Perguntas, respostas e opiniões: clique aqui.
     O espaço é seu e, é livre. Aproveite!

     Colocação de:Luiz Alberto de Souza,17 anos, Santo Andre-SP.
     O governo brasileiro investe em pesquisas para se descobrir a cura de doenças caracterizadas sem solução como a esquizofrenia?
     Qual a sua opinião? Participe.

     Pergunta de Rafael: eu gostaria de saber qual o conceito de seres transgênicos e se isso e uma boa para à humanidade?
     Seres transgênicos são os que tiveram um ou mais gens trocados por gens de outra espécie devido ao fato de que cada gen determina uma característica no ser vivo mas não precisa permanecer naquela espécie. Através de manipulação genética é possível alterar, mexer nas características genéticas de qualquer ser vivo. Por exemplo, a soja transgênica originou-se em pesquisas que buscavam características genéticas de resistência contra infecção por fungos e outros parasitos. A Monsanto está investindo pesado nisso e o Greenpeace protesta. O Greenpeace tem alguma razão pois não se pode adivinhar os efeitos colaterais da transgenia sem experimentar, às vezes por muitos anos. O ideal seria que os alimentos transgênicos viessem assim rotulados no supermercado. Mas é pouco provável que o grande dinheiro envolvido permita essa concessão, pelo menos não sempre. Animais transgênicos estão sendo clonados e gerando animais geneticamente idênticos para pesquisa, propagando rapidamente subraças desejáveis, melhorando a eficiência na geração e propagação de rebanhos transgênicos, produzindo alterações genéticas desejadas em animais domésticos e buscando conhecimento básico sobre a diferenciação celular. Por outro lado, animais e mesmo seres microscópicos podem ser modificados e produzir espécies novas que poderão não ser boas e que poderão fugir do laboratório. Ou determinado país pode produzir espécie nova de bactéria com a finalidade de liquidar com o inimigo. Destruições que ficam agindo mesmo depois da guerra não é coisa nova. Assim foi com a bomba atômica no Japão e com o agente laranja na guerra do Vietnam. Guerra é uma grande bobagem mas não se pode negar que existe. Claro que não se pode retroceder no mundo das pesquisas, somente determinar limites que serão em geral porém nem sempre obedecidos. E aí, só Deus sabe.

     Pergunta de: João Manuel Azevedo Gaiato
     De que modo a clonagem poderá ter implicações de ordem ética e moral?
     Há várias implicações neste campo, se for clonagem humana. A clonagem será decidida por quem tiver mais dinheiro, poder ou ambos. Os clones poderão talvez ser utilizados simplesmente como depósito de órgãos para transplantes sem rejeição. O risco de malformações congênitas será bem maior porque os gens defeituosos não serão abafados pela meiose. Seguidores de algum líder político quererão perpetuá-lo. Mas é claro que uma pessoa é o produto não só da genética mas também do meio ambiente e das experiências de vida. No dia 22/1/01 a câmara dos Lordes da Grã Bretanha aprovou uma lei que permite a experiência com embriões humanos desde que sejam mortos em 14 dias. As pesquisas destinam-se a verificar a potencialidade de células primitivas em curar doenças degenerativas como Parkinson e Alzheimer. Já está dando muito o que falar e os protestos das diferentes Igrejas são contínuos e veementes, como seria de se esperar.

     Pergunta de Neide Alvares:
     Em estado avançado, como é desenvolvida a comunicação com portadores de EM. Há uma linguagem específica?
     As capacidades cognitivas e de linguagem são geralmente poupadas até mais adiante na doença. Nos estados finais, a pessoa não consegue mais falar. O que existe é treinamento com fonoaudiologia para manter a comunicabilidade durante um tempo maior.

     Como é a cirurgia sobre compulsão? A que tipo de compulsão emprega-se o tratamento cirurgico? Como desassociar compulsão (neuro) de desequilíbrio psíquico?

     O distúrbio comportamental chamado de TOC (transtorno obsessivo compulsivo) é relativamente comum, afetando de 1 a 3% das pessoas. Destas, cerca de 10% não respondem ao tratamento medicamentoso. A cirurgia propõe-se a destruir parte do córtex orbitofrontal. É interessante observar que a cirurgia bilateral não tem vantagem sobre a cirurgia apenas no lado direito do cérebro. Uma melhora significativa foi observada em aproximadamente 50% dos que foram assim operados na Suécia entre 1976 a 1989. O desequilíbrio psíquico e o transtorno neurológico estão tão intrinsicamente emaranhados que é cada vez mais difícil separá-los. A caixa preta psiquiátrica está cedendo lugar progressivamente ao tratamento farmacológico ou cirúrgico com resultados surpreendentes. Claro que destruir parte do cérebro não é uma perspectiva alentadora mas os resultados são melhores do que nada. Tudo no cérebro deve ser equilibrado, daí o bom resultado da destruição quando um lado pesa mais do que o outro. No entanto, as pesquisas com embriões deverão trazer resultados mais propícios no sentido de reconstrução das vias defeituosas em lugar de destruir as vias reverberantes.

     Enquanto os avanços tecnológicos não estão completos a ponto de trazer significativas mudanças no nosso dia-a-dia, resta-nos o debate ético que envolve decisões sobre circunstâncias que até então sempre atribuíramos a Deus ou ao destino ou ao acaso.
     A partir do momento que pudermos decidir com que características nascerão nossos filhos, muitos aspectos vão mudar... Por exemplo, poderemos escolher o sexo, a cor de olhos e cabelos, QI, entre outros. Dessa forma acho o verbo deixaria de ser procriar e, sim, programar. Isso constitui um dilema, pois essas escolhas tenderiam a homogeinizar as pessoas visto que os padrões atualmante estão bastante pasteurizados.
     Não seríamos todos magros altos de olhos e cabelos claros... Isso caminharia para uma destruição da tão famosa individualidade...
     Além desse aspecto, a ética no que diz respeito a globalização do conhecimento não seria um ponto positivo dessa situação. Será que toda descoberta seria disseminada para o bem-estar comum, ou seria mantida em segredo para alimentar a ambição, a ganância...
     Como disse, muita conversa será necessária para estabelecer regras nesse novo universo que surge adiante. E elas são extremamente necessárias para o ser humano, pois ele não vive bem sem regras. O ser humano não vive sem obrigações e deveres pré-estabelecidos. Nem parecemos tão inteligentes assim...
     Gostei muito desse assunto!
     Mariana.
     Mariana, as regras devem existir a partir de comissões juntamente com entidades governamentais e não governamentais. Assuntos deste quilate tendem a ser manipulados de modo político pelos governos. A política, como se sabe, não está para servir a todos e sim à própria política. Existem características que a maioria aceita como desejável como, por exemplo, beleza física e alto QI. O que é belo, no entanto, varia de país para país e mesmo de pessoa para pessoa. Por outro lado, os governos têm procurado divulgar os conhecimentos enquanto que as empresas privadas guardam segredo. E isto tem sido assim em outras áreas também. A ganância é mola propulsora do progresso mas pode ser problema. A própria privatização da genética é um problema que deveria ser resolvido logo. Quanto à programação dos filhos, provavelmente estará acessível, pelo menos de início, aos mais ricos. Os filhos destes contarão não apenas com o dinheiro e a influência dos pais mas agora também com a sua própria carga genética turbinada. Parece que se aprofunda o desnivelamento social. Aproxima-se o admirável mundo novo ou então há mais regras e leis no nascedouro.

     Não seria um tanto fantasiosa a afirmação de que os valentes saberão quando e do que vão morrer? Além da possibilidade de um acidente, que não vem bem ao caso, a morte pode ser retardada ou adiantada, dependendo do modo de vida da pessoa ( se fuma, se bebe, se pratica esportes), ficando descartada a possibilidade de uma "data marcada" para morrer. (Mac)
     De fato, a jocosa conjectura de que se poderia saber a data exata da morte implica em saber-se um número por ora desconhecido de variáveis, mesmo que se considere quantidade exata de cigarros, bebidas e exercícios. Isto está dentro da teoria do caos - o caos científico, que significa algo bem diferente do que normalmente se conhece por caos. Sobre a teoria do caos, vide http://www.estado.com.br/edicao/especial/ciencia/caos/cao.html Mas aproximações com bem maior precisão do que hoje sim, serão certamente possíveis. Por outro lado, vai se fazer a previsão contando com um número de dados e possibilidades científicas que talvez no futuro irão aumentando mudando, gradualmente, a previsão.

     Dr. Sérgio Costa: Como seria o processo conceptivo com essas novas possibilidades de se escolher tantas características do novo indivíduo Como seria possível viabilizar correções genéticas para eliminar defeitos ou disponibilidades a doenças, entre outras?      Atenciosamente, Mariana.

     Mariana, o processo conceptivo provavelmente perderia toda a graça, entre tubos e pipetas. Não estamos longe de corrigir, a partir do ovo, doenças genéticas já conhecidas. Assim: logo após a concepção no tubo de ensaio, é feita a inspeção da carga genética na busca do(s) gen(s) que se sabe que tem defeito nesta família. O gen é substituído por um normal. Instala-se o ovo no útero da mãe e fica-se na torcida. Imprevistos surgem a todo momento e a característica fundamental do imprevisto é que ele não avisa.

     Ótima materia,embora já estou acompanhando estes assuntos faz tempo, já que, como europeo, leio jornais de lá. Sobre a humanidade ? Me parece um virus sobre a sagrada pele de Gaia.
     Cordialmente.Adriano Colangelo.
     Adriano, A humanidade deveria ser um vírus em Gaia. Mas, como descobre um dia qualquer pai ou mãe, pensa por si mesma. E vai se multiplicando e descobrindo maneiras de obter não só meios para alimentar-se mas também para permanecer mais tempo sem morrer. Agora, vai descobrir ainda como já nascer melhor. Se sobra gente, há desemprego e falta de moradia. Se falta gente, governos como o japonês desesperam-se com a falta de recursos para os aposentados. E agora?


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