Santiago
do Chile
A Cordilheira dos Andes aloja Santiago em seu ventre. "Para todos os lados que olharmos, a encontraremos majestosa, intocável, dona inacessível do horizonte, dos hábitos, da vida e orgulho do povo andino. Ela é feita de gelo, pelo mínimo em seu cume, como o véu de um hábito. É coberta, até o pé, de longa veste marron, no outono, pelo mínimo, a encerrar mistérios absolutos, em sí e em seu interior, que só seu povo é capaz de compreender. Há uma lenda que conta sobre vulcões de água quente, em suas entranhas mas, seus córregos, pelo degelo, choram lástimas e alimentam... A montanha tem vida, naturalmente e, observa! Dizem que quem a toca, em seus sentimentos, recebem sinais, que podem ser o escutar do murmúrio do vento a roçar seus cabelos. Ou, uma pequena rajada de vento que, tão pequena, pode atingir uma parte do rosto apenas, como um leve toque de dedos na face, para lembrar que também somos passado e futuro..."
San Cristobal é o grande protetor da cidade, recebendo uma estátua ao alto do monte, com acesso turístico com boa informação. Há linhas de ônibus para chegar até lá, sendo a melhor opção para quem quer conhecer uma cidade e seu povo. O passeio completo pode iniciar no "Funicular" que leva ao alto do morro onde há a pequena igreja e serviços de alimentação e "recuerdos". A estação do Teleférico permite a volta do passeio, tendo ponto de chegada em outro bairro, residencial, que lembra pequenas cidades européias.
O Mercado é outro grande ponto da capital chilena. Ali encontramos o povo pobre e trabalhador e os restaurantes famosos, com muitos frutos do mar e comida apetitosa. Escolha uma das muitas variedades de salmon e surpreenda-se com a quantidade servida. O mercado fecha às tres horas da tarde mas, serve a quem está em seu interior, com grande gentileza. O maior problema encontrado na cidade foram os cartões de crédito, nem sempre aceitos, pois as operadoras ainda não condizem com a grande cidade que é Santiago. Pode-se demorar trinta minutos para uma autorização de cartão (internacional). Para facilitar a digestão, vá ao Museo de Arte Pré Colombino, embora seja uma boa caminhada, os chilenos são gentis e orgulhosos de sua cultura e, mostram o melhor caminho. O museo apresenta os povos e seu desenvolvimento (nada primitivo) que viveram em nosso continente, com informações e objetos de nossas tribos Tupys Guaranis, por exemplo, e a comunicabilidade que as tribos tinham entre sí, desde o sul dos Estados Unidos, México, Chile, Brasil, Argentina, Colombia, etc, comprovadas pelos objetos catalogados e expostos.
O metrô, que tem estações com obras de arte, é ótimo, sendo um facilitador para quem gosta de fazer seus próprios roteiros. Com êle, vá a Estação de Los Heroes e conheça sua arte e um pouco da história. Visite o centro da cidade e conheça este povo corajoso, que sobreviveu governado por um tirano, que alguns consideram herói, e que o mundo não sabe o que fazer com ele. Quando se fala em Pinochet, o chileno se inflama. Visite a estação de trens. Veja velhas locomotivas, no recuperado prédio, veja novos trens rápidos, que cumprem horários e são confortáveis, que podem levá-lo à Viña del Mar, outro passeio fantástico. Junto a estação, há um shopping e terminal de ônibus intermunicipal. Naturalmente que tudo fica próximo ao rio Mapocho, outro símbolo que banha a cidade, totalmente canalizado com as pedras da cordilheira.
A casa de Neruda é próxima do "Funicular". A noite de Santiago tem Neruda até em seus Pubs. Tem poesia exalando nas ruas, nesta movimentada cidade habitada por gente de muitas partes do Chile e de outras partes do mundo, com hábitos europeus muitas vezes mas, se percebe que há entre eles um povo e, dentre este povo é possível ouvir um canto que soa da cordilheira, que exala sentimentos como nos versos finais do mestre: "... se trata que tanto he vivido, que quiero vivir otro tanto. Nunca me senti tan sonoro, nunca he tenido tantos besos. Ahora, como siempre, es temprano. Vuela la luz con sus abejas. Dejenme solo con el dia. Pido permiso para nacer".
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